ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 10/01/2021
Quando se discute a questão do trabalho infantil no Brasil, nota-se que é um problema grave. Por essa razão, fica explícita a necessidade de debater como a desigualdade social entrelaçada à evasão escolar agravam, ainda mais, essa problemática.
De início, é notório a influência das desigualdades sociais acerca do assunto uma vez que as crianças e adolescentes em questão têm o trabalho como único meio de sobrevivência dada as condições financeiras de suas famílias. Segundo o IBGE, mais de cinco milhões de menores de idade estão trabalhando no Brasil, o que vai contra o estabelecido pelo ECA. A região nordeste é a campeã no porcentual de trabalho infantil, e também é região que possui muitos problemas sociais e carência de necessidades básicas, além de uma herança escravista pelos grandes latifúndios que se estabeleceram ali durante o período colonial. O sociólogo e historiador Darcy Ribeiro já relacionava as desigualdades do país com o marco da escravidão, não é por acaso os problemas que surgem devido a uma exploração da mão de obra de pessoas vulneráveis. O ciclo da exploração continua no Brasil e precisa acabar.
Além desse fator, a evasão escolar é uma realidade que não pode ser ignorada. Muitos alunos abandonam os estudos para trabalhar desde cedo, em consequência não conseguem capacitação para adentrar um mercado de melhores condições no futuro. Quando não há educação para as crianças, não há uma saída possível para elas. Como diz o educador Paulo Freire: “Se a educação sozinha não muda a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda” Logo, a educação é uma ferramenta de extrema importância nos cenários de injustiça e desigualdade social. Todas as crianças precisam ser incluídas e merecem enxergar novas oportunidades de uma vida sem exploração e com dignidade.
Por esses aspectos, evidencia-se que as disparidades sociais e a fuga escolar se fazem presentes nesse cenário. Sendo assim, é vital que o Estado combata as desigualdades sociais e a evasão escolar com eficácia por intermédio da criação de novas políticas públicas e maior intensificação das que já existem, além de garantir com êxito a proteção de crianças e adolescentes por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente. Feito isso, o problema poderá ser devidamente combatido.