ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 10/01/2021
No poema de Carlos Drummond de Andrade “Os ombros suportam o mundo”, o autor relata as mazelas e problemáticas de sua época, denominando-as “fardos”. Nesse contexto, ao analisar a persistência do trabalho infantil na sociedade brasileira, vê-se essa como um dos pesos da época moderna. Essa situação tem-se perdurado devido à influência do sistema econômico atual, que visa a obtenção de lucros acima das virtudes sociais. Nesse sentido, é importante reconhecer que entre os fatores que contribuem para aprofundar essa realidade, destacam-se a desigualdade social vivida por inúmeras famílias juntamente à educação pública deficitária.
Em primeiro plano, torna-se fundamental o entendimento de que o capitalismo vigente, atrelado à desproporcionalidade social, promove o atual cenário de crianças inseridas no mercado de trabalho. Isso ocorre devido à carência financeira de várias famílias brasileiras, uma vez que o capital está concentrado nas mãos da elite do país; além de, muitas vezes faltar também, os recursos básicos, como alimentos, sendo assim, veem nas crianças uma oportunidade de adquirir tais mecanismos através do trabalho infantil. Tal fato pode ser retratado no livro “Vidas secas” de Graciliano Ramos, no qual retrata uma família nordestina humilde, composta por dois filhos, que passam a vida fugindo da seca de sua região e, as crianças inseridas no trabalho informal para ajudar os pais a suprir a fome.
Em segundo plano, faz-se imperativo a compreensão de que a ineficácia da educação pública, veiculada ao não investimento governamental na educação infantil, impulsiona o aumento do trabalho infantil. Essa situação acontece porque, com a falta de aplicação de capital na educação pública, muitos pais não acham que é proveitoso e benéfico para seus filhos e sua família inserir as crianças em uma escola pública, visto que muitos educandários estão em estado precário, ademais, as instituições não oferecem retornos imediatos, já que a família necessita de recursos financeiros imediatos para se sustentar. Portanto, para poder ajudar a família, as crianças são inseridas no mercado de trabalho. Dessa maneira, segundo o filósofo Epicteto “só a educação liberta”, torna-se evidente que a educação é o único meio de findar o trabalho infantil.
Diante do exposto, percebe-se a portura de leviandade estatal em relação ao combate ao trabalho infantil. Assim, para contestar esse quadro e as sérias consequências torna-se imperativo que ONGs (organizações não governamentais), por meio de trabalhos voluntários semanais em escolas com profissionais da educação, promovam doações de alimentos, palestras com pais e alunos com o tema sobre o quanto o trabalho infantil afeta a vida intelectual dos pequenos, com a finalidade de acabar com o trabalho infantil e aumentar os alunos. Assim um dos fardos nos ombros do mundo será aliviado.