ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 11/01/2021

As consequências do capitalismo são cada vez mais evidentes na sociedade contemporânea brasileira. Um exemplo intrínseco de tal fato se mostra quando é observada a maneira com que a população se relaciona com o trabalho, enaltecendo aqueles nos quais possuem um emprego fixo e inferiorizando quem está desempregado, diferentemente do que ocorria antes da Primeira Revolução Industrial, no século XVIII, quando esse aspecto não era tão proeminente. Todavia, no Brasil, a valorização do trabalho tem sido utilizada como pretexto para uma aproximação precoce desta prática nas crianças e adolescentes, desrespeitando essa fase de desenvolvimento e seus benefícios.

À medida que a nação brasileira deixa de reconhecer a infância como uma fase de desenvolvimento e começa a enxergá-la como um momento de preparação para a vida adulta, muitas crianças são privadas de brincar e estudar para ingressar em um emprego. Como resultado disso, estas acabam por abandonar seus interesses pessoais e os substituem pela jornada de trabalho, acontecimento no qual a longo prazo pode comprometer a saúde mental delas, causando inseguranças e problemas nas relações interpessoais. Tais fatalidades ocorreram com a protagonista Feyre, no romance “Corte de Espinhos e Rosas”, escrito por Sarah J. Mass, quando a personagem precisou aprender, após a falência do pai, como auxiliar sua família aos 14 anos, interrompendo seus estudos e seu gosto pela pintura.

Além disso, conforme os indivíduos permanecem indiferentes ao desenvolvimento psicológico infantil, aumenta a tendência de gerações futuras serem alheias ao problema também. Com isso, é possível notar que os três estágios do desenvolvimento psicossexual infantil, propostos pelo fundador da psicanálise, Sigmund Freud, não estão ocorrendo da melhor maneira, interferindo na vida pessoal da população e, assim, compromentendo o aprimoramento do país.

Dessa forma, medidas são necessárias para entornar o impasse. O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação e com os governos estaduais, deverá contatar as principais instituições públicas de ensino, a fim de que a diretoria de cada escola compartilhe com os alunos informações sobre centros de atendimento psicológico gratuito ou de baixo custo. Esses locais devem ser divulgados por cartazes ou pelo grêmio estudantil, de forma que a população infanto-juvenil obtenha apoio nessa fase, garantindo seu bem estar. É importante ressaltar que as secretarias escolares deverão entrar em contato com os pais a cada trimestre, com o intuito de observar se os direitos dos jovens estão sendo oferecidos adequadamente, para que eles possam se desenvolver, dessa forma, com dignidade.