ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 11/08/2021
Dentre os estados brasileiros, o sul e o sudeste lideram o ranking da exploração infantil do país. Seja por meio do trabalho doméstico, da agricultura, dos lixões ou até mesmo do tráfico de drogas, essa esploração se da cada vez mais visível, mesmo que uma das principais justificativas para tal trabalho seja que ele irá “afastar” a juventude do mundo do crime. Porém, a realidade se difere da fala, uma vez que este distancia suas vítimas da possibilidade de receber uma boa educação e ter momentos de lazer, o que pode prejudicar o seu pleno desenvolvimento.
Como se sabe, o Brasil é marcado históricamente pela desigualdade social, e, devido a isso, hoje apresenta um dos maiores índeces de utilização da mão de obra infantil da América, segundo o IBGE. Tal relação se deve ao fato de que atualmente, ainda segundo o IBGE, o país possui cerca de 60% da sua população na faixa da pobreza, fazendo com que a necessidade de trabalhar esteja cada vez mais presente na vida de crianças e jovens entre 5 e 17 anos. Tais dados evidenciam a forte barreira posta entre a sociedade, dividindo-a entre aqueles que devem lutar pelos seus direitos, e aqueles que, realmente, nascem com eles.
Entretanto, a questão social não é a única a ser culpada pela exploração infantil brasileira. Em sua música, Cazuza diz “Brasil, mostra a tua cara!”, numa clara tentativa de fazer um alerta a respeito das máscaras usadas quando se trata de falar sobre a cultura nacional. Logo, ao observar-se que cerca de 65% das crianças e jovens acometidas pela obrigatoriedade do trabalho são negras, mostra-se que o país ainda possui uma séria questão histórica em que trabalhar, visando melhora.
De acordo com os argumentos suprecitados, nota-se a necessidade da tomada de medidas afim de melhorar a qualidade de vida não só dos nossos jovens, mas de sua base familiar. Por isso, o Governo Federal deve ampliar seu alcançe, visando apoiar ONGS como a ChildFund Brasil, que luta contra o trabalho infantil abusivo, e incentivando a frequência escolar, que será o melhor caminho para formar-se a conscientização necessária.