ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 15/09/2021

A frase  “é muito triste, é muito cedo, é muito covarde cortar infâncias pela metade”, da música “Sementes”, de Gabriel o pensador, descreve a triste realidade das crianças que são submetidas ao trabalho. Assim como na música, o Brasil sofre com a persistência desse crime infantil, que impede uma infância plena, resumida em lazer e educação. Nesse contexto, o perfil familiar desses menores e a naturalização social dessa problemática, tornam-se urgência no país.

Em primeira análise, vale destacar o aspecto supracitado acerca da contribuição das famílias para a manutenção do trabalho infantil. Diante disso, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é dever do Estado e da família garantir a essa camada uma protenção integral. Entretanto, muitas vezes, esses pais, devido a baixa condição financeira, necessitam da ajuda dos filhos para manter as despesas e os obrigam ao trabalho precoce. Subsequentemente, esses indivíduos abandonam a escola e perdem o prazer de brincar, fator que pode ocasionar trauma e dificuldades na fase adulta, como vícios. Dessa forma, o problema em questão urge solução, tendo em vista as consequências dessas práticas na vida dessas pessoas.

Outrossim, em consonância com a incúria familiar frente à garantia dos direitos das crianças, a imposição da sociedade também colabora para intensificar essa pandemia invisível. À face do exposto, o sociólogo George Simmel fala sobre a Atitude de Blasé, a qual faz se manter indiferente diante de sérios problemas. Sob essa lógica, esse modo de agir tem raízes na desigualdade social e no racismo estrutural, haja vista que essa apatia, na maioria das vezes, não é com todas crianças, mas  apenas com as pobres e negras. Assim, em toda a história do Brasil desde a escravidão, essas condições sociais são motivos de negligência estatal com essa parcela populacional. Com isso, esse sistema mantém os altos graus de desigualdade, uma vez que quanto mais precoce o trabalho, menor a renda obtida na vida adulta, pois a qualificação desses cidadãos é prejudicada.

Em suma, é imprescindível a mitigação dos desafios para combater essa mazela social. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve remunerar os programas educacionais já existentes na escolas, como o Programa Segundo Tempo ofertado na rede pública. Isso deve ser feito por meio de maiores investimentos governamentais na educação, com o fito de ajudar financeiramente essas famílias, sem que precisem privar seus filhos dos seus princípio. Diante da articulação dessas medidas, o desequilíbrio financeiro social será amenizado e a realidade destacada na música sobredita não se enquadrará mais no contexto brasileiro.