ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 20/10/2022
Segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, existe uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a atenção necessária. Nessa lógica, vale a pena destacar o trabalho infantil na sociedade brasileira como um dos empecilhos ignorados, visto que devido à alienação populacional e a negligência estatal o problema ainda perpetua na nação. Sendo assim, é importante buscar soluções para resolver tal problemática.
Primordialmente, é nítido que a escassez de informações sustenta uma sociedade alienada. Isso porque se faz presente entre os brasileiros o “Paradoxo da Moral”, conceito criado pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno. Nesse contexto, a carência de discussão nos veículos midiáticos acerca de como milhões de jovens brasileiros tem sua integridade rompida, implicando negativamente com a sua qualidade de vida, somado à bolha social causada pelos algoritmos na internet, faz com que a população não identifique e combata a problemática, o que reforça a falta de criticidade no ideário coletivo. Dessa forma, trazer essa pauta à discussão social é imprescindível.
Outrossim, é fulcral destacar a inoperância governamental como um agente do revés. Essa conjuntura decorre de que, assim como pontuou o economista Murray Rothbard, uma parcela dos governantes, ao se orientar por um viés individualista, negligencia a conservação de direitos sociais indispensáveis, como o direito à dignidade. Em decorrência desse abandono do poder público, cria-se um ambiente propício para o aumento descontrolado do percentual de jovens em trabalhos que não são adequados para a sua idade. Prova disso é uma pesquisa realizada pelo O Globo, em 2004, a qual estima-se que mais de 5 milhões de crianças e adolescentes se submetem ao trabalho infantil no Brasil, deixando clara a brecha na legislação. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua o problema.
Portanto, cabe às ONGs alertarem a população sobre essa problemática, através de campanhas de mobilização social, com o uso de voluntários, para que tal pauta seja discutida pelo público e receba a devida atenção dos governantes. Ademais, o Ministério Público, deve fiscalizar a aplicação dos poderes estatais, com a finalidade de alcançar o pleno cumprimento da legislação.