ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 16/10/2019
“Fahrenheit 451”, de autoria de Ray Bradbury, é contado em futuro inespecífico em uma América hedonista e anti-intelectual em que qualquer um que é pego lendo livros é, no mínimo, confinado em um hospício e seus livros queimados pelos “bombeiros”. A obra contempla seu simbolismo na contemporaneidade ao contatar-se um grande óbice no Brasil, que por ora não encontra proibição alguma em relação aos que lêem, para tanto, grande parte dos brasileiros não possuí tal hábito, que seja por prazer, estudo ou para se informar, é um ato de grande importância para a aprendizagem do ser humano. Tal empasse deve-se tanto pela falta de contato, quanto à omissão governamental.
A princípio, o desinteresse pela leitura é herança direta de um sistema educacional inadequado. Isso porque, a real e fundamental utilidade da leitura, tendo ela princípio em sala de aula, é o enriquecimento cultural, bem como, sua prática no contexto social, que no pensamento sociológico do alemão, Max Weber, para desfrutar e compreender tal perspectiva, é inevitável viver inserido nela dia após dia. Entretanto, ainda existem escolas em que as aulas de alfabetização se resumem a leitura como forma de decifração da escrita. Ora, se não é possível estabelecer o hábito diário, fazendo com que desde pequeno, o aluno tenha em mãos um livro, um gibi, uma revista, um jornal, enfim algo que lhe seja prazeroso e lhe dê uma visão de mundo melhor e mais real da sociedade, leva com que a crise da leitura abanque hoje um patamar de dificuldade nacional.
Atrelado a isso, a negligencia do Poder Público é responsável pelo cenário caótico da leitura no Brasil. Isso ocorre porque, na concepção de que “ tudo que é legal é legitimo”, do jurista e filósofo austríaco, Hans Kelsen, em sua obra “Teoria Pura do Direito”, seria indissociável, para alcançar a legitimidade democrática, que se faça válido, dentre os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, o Direito à Cultura. Tal fato revela a natureza paradoxal da política brasileira, uma vez que a cultura, na prática, tenha se mostrado um direito relegado ao segundo plano em relação aos demais direitos. Em decorrência disso, o problema se torna ainda mais complexo, quando é frustrado por sistemas que, no fim das contas, acaba dificultando ainda mais o acesso da população à leitura.
Urge, portanto, que o hábito de leitura, no Brasil, deve-se, além de um direito, ser implementado. Em razão disso, o Estado, pressionado por ONGs com o “Instituto Pró-Livro”, deve criar um programa de nome “Livro, Casa e Família”, por meio da ampliação de verbas destinadas ao Ministério da Educação e Cultura, que exija o envio de um livro todo os mês, para cada aluno da rede públicas e seus integrante familiares, com a finalidade de propor suas experiências em um processo lúdico no fim do bimestre letivo. Assim, restringir-se-á à ficção de “Farhenheit 451” o lamentável ideário maquiavélico dos livros.