ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 19/02/2020
A prática da leitura não é algo natural para as pessoas, ou seja, não é um mecanismo de origem inata. A leitura deve ser aprendida, a princípio, e aprimorada ao longo da vida. O desafio, todavia, não é de apenas alfabetizar indivíduos a fim de decodificar palavras em um texto, mas, também, de formar leitores críticos por meio de um processo de letramento literário competente. Trata-se da árdua tarefa de empoderar o cidadão, através do conhecimento, para ampliar a sua visão de mundo, e viabilizar o acesso à liberdade de consciência. Hoje, em leitura, o Brasil ocupa o 59º lugar entre 76 países, segundo o relatório do PISA. Diante disso, faz-se necessário identificar porque é dificultoso formar leitores críticos no país.
Segundo Abraham Weintraub, o Brasil investe cerca de 5,7% do PIB nas instituições de ensino públicas, uma quantia superior à média dos países que formam o OCDE. Apesar de altos investimentos econômicos feitos a cada ano, os problemas estruturais na educação persistem. Os mais comuns são: a falta de educadores qualificados, bibliotecas e um sistema educacional sólido. Hoje, o sistema forma cidadãos que são analfabetos funcionais, isto é, sabem ler, mas não são aptos a interpretar a arte literária. Isso porque as escolas usam em excesso os livros didáticos, em que os textos são escritos de forma muito direta, por isso, os alunos não se esforçam para usar a imaginação, nem a compreensão. Esse método de ensino torna a leitura muito desestimulante, tanto para o aluno, quanto para o professor.
Outro ponto a ser observado é o poder de influência da conduta dos pais sobre os filhos. O primeiro contato da criança com livros deve ser introduzido no âmbito familiar, para que desde os primeiros anos de vida ela seja estimulada a desenvolver o prazer pela leitura. Entretanto, 53% dos brasileiros não mostram apreço pelos livros, como constatou a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizado pelo IBOPE e encomendada pelo Instituto Pró-Livro. Os efeitos negativos da falta de engajamento dos pais na educação cultural dos filhos é marcado, sobretudo, pela nudez intelectual social, tanto que nos constitui como um país que não lê.
Frente ao exposto, entende-se que o hábito de ler é essencial para o avanço sociocultural de um país e deve ser incentivado de maneira adequada. Portanto, o MEC deve investir os recursos de maneira mais eficaz, por meio de treinamentos presenciais do corpo docente para orientá-los com mais conhecimento teórico; a fim de aprimorar a qualidade do método de ensino nas escolas. Bem como, ampliar e atualizar as bibliotecas com livros mais relevantes, de maneira que os educandos aprendam de forma prazerosa e eficiente. Semelhantemente, os pais, em conjunto com a escola, devem motivar a seus filhos por meio de clubes de livro e com encontros semanais. Assim, não apenas construiremos um país de leitores maduros, mas também, um futuro brilhante e mais digno.