ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 17/04/2020

Os bombeiros em “Fahrenheit” 451 obra de Ray Bradbury, servem exclusivamente para queimar livros. O texto é baseado em um futuro distópico, no qual pensar ou ler é passivo de crime severo. Obras e bibliotecas ardem em chamas na ficção de Bradbury. Apesar do gênero ficcional de “Fahrenheit”, a humanidade em sombrios períodos históricos, censurou ou até mesmo queimou diversos livros. Durante a ditadura civil-militar no Brasil, livros, jornais, filmes foram censurados arbitrariamente pelos militares, para simplesmente não contrapor as ideias vigentes.

Embora acreditemos que a censura é restrita a regimes autoritários, ela também ocorreu em “democracias”. Exemplo desse quadro mencionado, ocorreu na bienal do livro de 2019 no Rio de janeiro. Nesse evento, livros foram recolhidos e lacrados, pois segundo as autoridades, as obras eram consideradas “inadequadas”. Desse modo, assim como Ray Bradbury debate em seu texto, os livros tem um caráter de revolucionar e destruir padrões vigentes. Assim, poderes tentam controlar e padronizar o pensamento por meio da censura de livros.

Kant em seu texto clássico “O que é o esclarecimento”, crítica severamente o indivíduo que abdicou do poder de pensar. Segundo o autor, resta a essas parcelas da sociedade - minoridade- obedecer, ser submissa, render-se ao poder, sem possuir meios para criticá-lo. Sendo assim, nota-se que os livros, é um dos meios para o indivíduo alçar a capacidade de pensar por si próprio e buscar autonomia que Kant mencionava.

Portanto, observa-se que os livros são as chaves para conseguir quebrar as correntes do senso comum e conseguir autonomia de pensar. Diante esse fato, é cargo do MEC e do Governo Federal fornecer palestras em escolas com autores, criar projetos de leitura em bibliotecas municipais, capacitar docentes para discutir obras em sala de aula e fornecer materiais educativos dos beneficios da leitura aos estudantes.