ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 19/04/2020
A leitura como instrumento crítico
O acesso à leitura é um ato político. Podemos “ler” o mundo de diversas formas, através de livros, jornais, músicas e todas as outras manifestações comunicativas expressas na arte ou mídia. Em nossa história recente, muito já se sabe desse poder transformador, podemos citar a destruição em massa do livro crítico a nossa estrutura social: “Capitães de Areia” de Jorge Amado, que ocorreu durando o Estado Novo na Era Vargas. O movimento Tropicalista que, através da música, usavam figuras de linguagem para driblar a censura e sensibilizar a sociedade. Ambos os episódios ocorreram na tentativa de coibir o poder crítico em nossa sociedade. Entretanto, com a popularização do acesso a informação, todos podem opinar e disseminar suas ideias, mesmo que não sejam apoiadas em veracidade dos fatos, gerando desinformação estrutural. Nesse sentido convém analisarmos as principais consequências para a nossa sociedade.
Segundo o artigo 18, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Esses preceitos são usados erroneamente por aqueles que querem disseminar ódio e informações falsas (as chamadas “fake news”). Esses seriam ignorados caso nossa sociedade possuísse poder crítico apurado, soubesse interpretar as informações, usar meios oficiais de checagem de notícia e aprofundasse o nível crítico com a informação recebida. Esses conceitos não são novos, desde o movimento iluminista é disseminado que não devemos aceitar a imposição de uma regra ou ideia, antes de compreendermos a razão ou comprovação por evidências (principalmente as científicas).
Portanto, indubitavelmente medidas são necessárias para resolver esse problema. Pode-se dizer que a educação é o principal agente responsável nesse cenário. É preciso adaptar a metodologia de ensino aos novos tempos e tecnologias, buscar o interesse à leitura de uma forma dinâmica e atualizada à nossa sociedade visando, principalmente o desenvolvimento do censo crítico. Concomitante a essas ações, precisamos aprimorar de forma crítica a checagem de informação nas redes sociais, não qualificando apenas como verdadeiro ou falso (como ocorre atualmente), mas explicando o porquê daquela informação ser inverídica. Dessa forma, espera-se promover uma melhora nas condições democráticas que a leitura exerce em benefício a todos nós.