ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 22/04/2020
Martinho Lutero, o principal responsável pela Reforma Protestante - pensamento que criticava a igreja católica e buscava uma mudança religiosa -, utilizou panfletos para disseminar seus ideais em 1517, levando a população a uma importante reflexão que causaria a revolução. Assim, depois das escritas de Lutero serem impressas, a prática de leitura passou a ser vista como uma grande ferramenta de transformação da sociedade, tendo em vista que o movimento atraiu milhares de pessoas que simpatizaram com as posições reformistas. Contudo, apesar da extrema relevância do ato de ler, o Brasil ainda possui barreiras como a desigualdade salarial e a desvalorização da literatura que dificultam o acesso de todos a esse importante mecanismo.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o Brasil possui uma imensa discrepância salarial que é influenciada, principalmente, pela falta de oportunidade nos estudos, prejudicando assim, a alfabetização de pessoas de baixa renda. Segundo dados do IBGE, o país ainda conta com cerca de 12 milhões de analfabetos, sendo o nordeste a região com a maior taxa nacional, além de concentrar os estados mais pobres. Desse modo, fica claro que a desigualdade salarial está ligada com a falta de oportunidades de acesso intelectual, já que, desde muito cedo, as crianças e os jovens das classes menos favorecidas precisam trabalhar e, por isso, não enxergam perspectiva na vida dos estudos.
Em segundo lugar, é pertinente lembrar que existe uma intensa desvalorização no ato de ler. Para o escritor Monteiro Lobato, “quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”, desse modo, é evidente que a leitura tem potencial de mudar a população em todas as esferas da vida, possibilitando o pensamento crítico e a transformação do modo de observar o mundo. No entanto, com a Terceira Revolução Industrial que possibilitou o maior acesso à tecnologia, a população teve uma maior facilidade de obter informações, deixando de lado os livros e textos que agora podem ser assistidos ou ouvidos, causando uma desmotivação nos cidadãos que preferem ter conhecimento rápido e sem esforço.
Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver a problemática. Para tanto, o Ministério da Educação deve criar programas de alfabetização dentro de escolas estaduais e municipais de regiões e comunidades carentes do país, por meio de educadores treinados para ensinar crianças e adultos em diferentes períodos do dia para se adequar a realidade de cada cidadão. O Governo Federal também deve desenvolver cursos online para professores da rede pública de ensino, ajudando os educadores a incentivarem o hábito e a importância da leitura no ensino fundamental e médio, alertando os pais e responsáveis sobre a necessidade do ato de ler. Somente assim, a alfabetização e a valorização da literatura será uma realidade brasileira.