ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 21/04/2020
“A arte sempre foi e sempre será nossa válvula de escape. É por meio dela que podemos buscar o conforto, que, muitas vezes, nossa realidade não nos dá.” Esse argumento do diretor de cinema brasileiro Gerald Thomas pode ser associado ao efeito que a leitura acarreta a quem ler. Não obstante, hodiernamente, é correto afirmar que a oportunidade de acesso à arte da palavra está de difícil alcance devido, principalmente, à desigualdade social e ao desvio de verbas públicas. Por consequência, são necessárias medidas para reverter esse problema.
Em primeira análise, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), na Região Sudeste, concentram-se 47% a mais de leitores do que na Região Nordeste. Ademais, a obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos faz referência ao impacto que a falta educacional causa. Por exemplo, o personagem nordestino Fabiano é bruto e duro como a terra seca do sertão e sua linguagem acompanha isso, dado que ele está sempre dividido entre a revolta e a passividade. Porém, a segunda predomina por causa da linguagem escassa. Logo, a dissemelhança social reduz os índices de leitores.
Outrossim, a citação “Aceitar dinheiro do primeiro que aparece é comprar um senhor e sujeitar-se à servidão” do filósofo Sócrates é vinculada ao transvio de dinheiro público. Em 2019, o Ministério da Educação (MEC) descobriu um desvio de 1,2 bilhão de reais do dinheiro destinado aos ensinos públicos estatais. Com isso, há menor investimento nas estruturas colegiais, o que pode ferir o direito a uma educação de qualidade promulgada constitucionalmente. Por conseguinte, o transvio de capital público para fins pessoais precariza o sistema educacional.
Desse modo, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Órgãos públicos devem investir na educação e incentivo à leitura, por intermédio da criação de novos centros educacionais e clubes do livro, para que os estudantes tenham acesso ao aprendizado e aos livros, desenvolvendo suas capacidades leitoras. Além disso, a população deve exercer seu direito de exigir melhorias, por meio de debates e passeatas, a fim de que os representantes sintam-se pressionados a investir as verbas aos seus corretos locais de atuação. A partir dessas atitudes, a leitura será mais acessível e trará boas consequências ao país.