ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 30/04/2020
A interpretação da obra “A menina que não sabia ler” permite uma breve analogia entre a proibição linguística submetida à jovem protagonista e o árduo acesso à leitura sofrido por muitos indivíduos no Brasil. Posto isto, pode-se concluir um golpe à dignidade cidadã, uma vez que tal obstáculo inibe a sublime ascensão social e, como sequela, transtorna o desenvolvimento nacional.
A princípio, o aparato educativo disseminado transfigura-se fator predominante na atenuação da repugnante disparidade socioeconômica. Entretanto, embora o Artigo 205 da Constituição Federal afirme “A educação é direito de todos e dever do Estado”, cerca de 11 milhões de brasileiros são analfabetos, consoante o jornal O Globo. Sendo assim, o difícil alcance ao conhecimento - provocado por diversos entraves, tais como conjuntura didática arcaica -, censura a nobre equidade social e ocasiona uma ruptura entre o cidadão e os seus respectivos direitos.
Ademais, literatura abrange uma relação intrínseca com a construção do senso crítico individual e, por conseguinte, possibilita a consolidação da eminente democracia. Dessarte, é imprescindível a compreensão da leitura para além de fonte primária de discernimento, pois a mesma detém a capacidade de acentuar a desenvolução de uma nação. Logo, tal abordagem encontra-se simbolizada na obra “A importância do ato de ler” - vincula linguagem à aptidão de ler o mundo e seu contexto -, do erudito educador brasileiro Paulo Freire.
Frente à problemática apresentada, urge, portanto, ao Ministério da Educação (MEC) ampliar projetos como a Política Nacional de Alfabetização (PNA), bem como modernizar a vigente estrutura educacional e expandir o número de bibliotecas literárias, especialmente em escolas públicas, a fim de viabilizar o letramento aos indivíduos afetados e o incentivo à leitura. Sendo assim, torna-se possível a mitigação da discrepância social e o próspero progresso do país, pois, segundo Immanuel Kant, “O homem é aquilo que a Educação faz dele”.