ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 27/04/2020

Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Enquanto o órgão se restituía, a ave já o consumia novamente. Embora seja um contexto ficcional, o mito adapta-se à temática hodierna da transformação na vida dos cidadãos por meio da leitura. Nesse espectro, é indubitável que os livros possuem um valor inestimável no que se refere à formação do senso crítico e à ascensão social - por meio, pois, da disponibilização da literatura às camadas mais vulneráveis e marginalizadas da sociedade.

A priori, cabe mencionar o pensamento do empresário americano Bill Gates: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história”. Sob esse prisma, é inegável a participação do poder dos materiais escritos no processo de obtenção da capacidade de filtrar a enorme quantidade de conteúdos e informações disseminados pelas plataformas midiáticas da globalizada Terra contemporânea. À luz disso, essa dinâmica é fundamental para que o sujeito consiga interpretar de forma mais cética o que for necessário, a partir de uma visão de mundo própria.

Outrossim, consoante o escritor brasileiro Rubem Alves: “Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar”. Sob essa perspectiva, as obras literárias têm substancial relevância no tocante ao indivíduo “transportar-se sem sair do lugar”, o que possibilita a ele escapar – ainda que momentaneamente - de condições adversas com as quais tem de conviver na vida real. Com isso, principalmente os mais jovens, obtém a chance de vislumbrar portas – antes fechadas, porém agora entreabertas - para seu futuro. Dessa maneira, a importância do ato de ler cruza a barreira das páginas e, primeiramente, invade a mente do leitor até que, em um segundo momento, é transmitida para a convivência no eixo socioeconômico.

Logo, é mister que o MEC promova campanhas e palestras nas escolas com o fito de cultivar o gosto pelas palavras desde os anos iniciais das crianças. Do mesmo modo, faz-se essencial que o Ministério da Economia invista em eventos como Feiras do Livro e na construção de bibliotecas públicas em vários pontos das cidades, com reabastecimento anual. Além disso, cabe à população valorizar os novos autores que surgem na esfera nacional, de forma que ambos se beneficiem de tal ação. Enfim, apenas quando o povo passar a renovar constantemente a dose literária absorvida pela psique, tornar-se-á um agrupamento em massa de pessoas capazes de deter o abutre da ignorância, que se alimenta da deterioração dos cérebros que não aprimoram sua sabedoria.