ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 26/04/2020

A história da história

Não é novidade que o Brasil é um país com um enorme número de analfabetos, porém existe um número muito maior de pessoas que não possuem o hábito da leitura. Infelizmente, o governo e as mídias não parecem estar muito preocupados com este segundo índice, uma vez que quanto menos pessoas lerem, menos indivíduos irão questionar o que acontece todos os dias na sociedade.

Durante muitos séculos, apenas líderes políticos e religiosos possuíam o privilégio da leitura; isso era, acima de tudo, uma forma de garantir que os cidadãos não questionassem nenhuma decisão tomada pelo governo. Entretanto, com o passar dos séculos, os livros foram difundindo-se pelo mundo, sobretudo na Grécia Antiga. Isso garantiu uma democracia questionável nas Cidades-Estado, que garantia a discussão dos problemas governamentais nas ágoras.

Com a difusão do cristianismo, sobretudo no lado ocidental da Europa, a Igreja Católica precisava impedir que os cidadãos contrariassem seus dogmas, por isso uma das soluções encontradas pela instituição foi a Index Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos), que afastava dos cidadãos todos os livros que proporcionavam às pessoas a capacidade de contrariar o Estado. Com o início do período renascentista, porém, os livros transformaram-se em itens de luxo nas casas das pessoas. Com isso, ler passou a ser uma das mais admiradas culturas.

Como retratado em “A Garota que Roubava Livros”, durante a Segunda Guerra Mundial, o ditador Adolf Hitler ordenou que fossem queimados todos os livros da Alemanha, assim as pessoas não teriam argumentos para contrariá-lo, e mesmo que tivessem, não saberiam como questioná-lo em suas decisões políticas. Mesmo depois do fim da guerra, muitas pessoas continuaram afastadas desta cultura erudita, uma vez que os países ainda tinham um enorme número de analfabetos. Além disso, eram altíssimos os preços dos livros, somente a burguesia tinha condições financeiras para compra-los.

Diante do exposto, pode-se observar que, por mais que o hábito da leitura sempre seja difundido na sociedade, sempre haverá uma instituição que será absolutamente contra ele devido aos riscos que esta cultura pode trazer aos regimes rígidos e absolutistas. É obrigação das escolas e das famílias incentivar ao máximo a leitura, mostrar que isso permite uma ampla compreensão do mundo antigo e contemporâneo. Além disso, é de extrema importância que todos os cidadãos tenham acesso à leitura, seja por livros físicos, livros digitais, jornais, revistas, blogs e todos os outros meios que permitam a leitura. Para isso é necessário reduzir os preços dos meios de leitura, criando plataformas digitais gratuitas para leitura e lançando edições econômicas dos meios físicos.