ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 30/04/2020

É incontrovertível o caráter transformador que a leitura possui, a invenção da imprensa, a qual proporcionou uma maior facilidade ao acesso de livros, foi essencial para o movimento das Reformas Protestantes como a de Lutero, transformando o poder da igreja católica no continente europeu e servindo de base para a disseminação da cultura católica na América em resposta ao protestantismo. Sem embargo, no Brasil ainda há uma pouca disseminação literária, principalmente nas classes mais deficitárias economicamente, isso ocorre não só por fatores sociais, mas também por questões estruturais as quais impedem o acesso e o interesse pela leitura.

Primeiramente, baseando na célebre obra de Aluísio Azevedo, “O Cortiço”, é notório como o autor relaciona o indivíduo com o meio em que ele vive, ou seja, o ambiente direciona o comportamento do indivíduo, algo parecido com a teoria evolutiva de Lamarck, a qual defende que o ser se adapta ao meio. Dessa forma, é irrefutável que, em um ambiente ao qual não há uma forma viável de acesso a leitura, será muito difícil que alguém nesse local se afeiçoe à literatura, visto que, o acesso à livros que as pessoas dessa região tem é muito baixo. Essa precariedade pode ser suprimida com ações estatais visando o incentivo à leitura dessas populações.

Outrossim, Gilberto Freyre, pernambucano e um dos maiores sociólogos do século XX, afirmava que a educação sem um fim social é a maior das futilidades. Assim sendo, educar pela leitura sem o objetivo de transferir a realidade literária para o mundo real é uma coisa que não transformaria a sociedade. Portanto, além de instigar à leitura, é necessário fomentar a reflexão literária, para que leitura seja uma verdadeira transformadora social. Um exemplo de como essa análise literária pode mudar o mundo ao seu redor, são nomes como o de Lima Barreto, que usou a sua realidade como instrumento para fazer uma crítica social, e tentar mudar a realidade através da leitura e de suas obras.

Destarte, é mister que haja no Brasil uma maior facilidade do acesso á leitura. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação (MEC) poderia realizar, junto das secretarias de cultura estaduais e municipais, programas de incentivo à leitura através de seminários, aulas e palestras abertas à comunidade para, além de potencializar a vontade literária, incrementar as visões críticas que podemos ter graças a ela. Ademais, os governos estaduais poderiam receber repasses do Governo Federal destinados à construção de bibliotecas públicas, e de qualidade, em bairros periféricos das cidades, isso seria feito através de um decreto presidencial liberando os recursos para isso. Por fim, a matéria de Literatura deveria se tornar matéria obrigatória em escolas das redes públicas e estaduais, graças a uma emenda legal feita pelo congresso nacional. Tais medidas aumentariam o poder transformador literário no Brasil.