ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 28/04/2020

A obra “A Menina Que Roubava Livros” retrata a vida de Liesel, uma menina judia, no cenário da Alemanha Nazista. A trama gira em torno dos livros roubados pela meninas que fez com que ela percebesse que as palavras possuem um poder transformador. Fora da ficção, é evidente que a leitura permanece sendo um instrumento de transformação das sociedades. Entretanto, nota-se que no Brasil contemporâneo esse ato é limitado á uma pequena parcela da população, não só pelo fato de ser utilizada como instrumento de repressão, mas também por ser um ato de poder.

A priori, é importante ponderar acerca de como instituições de poder utilizam da linguagem como intermédio para marginalização e manipulação de certos grupos. Consonante com o linguista brasileiro, Carlos A. Franco, a língua é  ferramente para subordinação social, visto que camadas menos escolarizadas são subordinadas à elite, devido às suas variedades. Sob tal ótica, é nítido que não é conveniente para a classe dominante promover hábitos de leitura à toda população, uma vez que, a partir disso, teriam maior acesso à informação, consequentemente, questionariam as mazelas sociais e e se mobilizariam para modificar tal conjuntura. Sendo assim, esse ato fica limitado á certo grupo, até mesmo, por uma questão cultural.

Posteriormente, é necessário analisar as maneiras nas quais, um leitor pode transformar sociedades. Na civilização mesopotâmica, havia o grupo dos ecribas, que eram responsáveis por redigir as normas a mando do regente e serem porta-vozes de tais, com isso, acabavam imprimindo suas interpretações sem que fossem questionados, pelo fato de serem os únicos que possuíam tal habilidade. A partir do exposto, nota-se que os indivíduos que possuem o hábito de ler -independente do gênero- desenvolvem a capacidade de interpretação e, assim, são capazes de quebrar barreiras, que negam,de forma implícita, o acesso à ideias estrangeiras, que identificam uma sociedade.

Medidas, portanto, são necessárias para resolver o impasse. A Escola -como auxiliadora da formação dos  indivíduos- deve promover o habito de leitura nas crianças e nos adolescentes, por intermédio da apresentação de autores e obras, que sejam adequadas para suas respectivas idades, para que encarem o essa ação como algo prazeroso, até que se torne um hábito. Ademais, as editoras, com assistência do Estado, devem diminuir os valores dos livros, por meio da produção com papéis reciclados, que além de batear o produto, será benéfico ao meio ambiente. Se tais medidas forem implementadas, a mudança da percepção da sociedade que aconteceu com Liesel, descrita por Markus Zusak, poderá ocorrer, também, com grande parte dos brasileiros, tornando-os mais questionadores e reflexivos acerca das relações sociais.