ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 01/05/2020

Para o filósofo francês Voltaire “A leitura engrandece a alma”. No Brasil, apenas 44% dos jovens tem o hábito de ler livros, o que aponta para o empobrecimento dos debates políticos e a falta de empatia entre as pessoas. Dessa maneira, a leitura tem o poder de construir no indivíduo a cidadania e o senso crítico, ideais para decodificar o meio no qual está inserido.

Em primeiro lugar, é importante destacar o contexto social na Idade Média, quando o cristianismo dominava a Europa e o clero era o único grupo capaz de interpretar os textos bíblicos, a falta de leitura impedia o cidadão comum de desenvolver um senso crítico a respeito de assuntos que influenciavam diretamente em sua vida. Tornava-se assim, facilmente manipulado por grupos aristocráticos. Dessa forma, o clero tinha liberdade de disseminar ideias favoráveis aos seus interesses. Portanto, para evitar que esse cenário se repita é importante fomentar a leitura como instrumento de mudança de paradigmas, pois ela é o principal meio de desenvolvimento do senso crítico.

Ademais, a leitura nos permite viajar por novos lugares, costumes, ideias e emoções; é o encontro de dois mundos, entre o mundo do autor e o mundo do leitor; é necessário empatia quando se inicia uma leitura, por isso costumam dizer que o mesmo livro nunca é lido da mesma maneira, cada leitor tem a sua própria interpretação. Diante disso, ler é ideal para enriquecer ideias e pode ajudar a sociedade a superar obstáculos como homofobia, racismo, xenofobia, além de outros tipos de preconceito. Dessa forma, é possível crescer a empatia nas pessoas.

Portanto, são necessárias medidas para instigar o hábito de leitura no brasileiro, para que ele seja capaz de questionar e analisar de maneira racional suas próprias escolhas, e não se deixar influenciar por pequenos grupos como ocorreu na Idade Média. Para que isso aconteça, o Ministério da Educação deve desenvolver uma matriz curricular que incentive na escola aulas que desenvolvam a leitura crítica, isto é, não somente conhecer e saber os códigos linguísticos, mas interpretar e contextualizar as leituras de acordo com a realidade. Incentivando, assim, o aluno a tirar suas próprias conclusões das situações vivenciadas na sociedade. Diante de tal ação, é possível tornar a sociedade mais justa e empática.