ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 30/04/2020

No filme “Matilda”, é narrada a história da jovem Matilda, uma leitora voraz. Por meio do conhecimento obtido pelos livros, ela teve consciência da negligência que seus pais tinham em relação a ela, permitindo-lhe escapar desse relacionamento por meio de um processo adotivo que havia lido em um livro de direito. Infelizmente, a narrativa de Matilda se destoa da realidade brasileira, a qual devido à falta de incentivo na infância e à elitização da leitura, apresenta uma população pouco habituada aos livros e, portanto, pouco consciente.

O hábito da leitura, além de auxiliar no desenvolvimento de habilidades de interpretação de textos, possui uma importante função social: a de conscientização. De acordo com Paulo Freire,a leitura é antes de tudo uma interpretação do mundo em que se vive. Dessa maneira, uma pessoa que tem o habito de leitura, consequentemente consegue desenvolver uma boa opinião, pesamento e também um bom senso crítico, sabendo assim, filtrar tudo o que lhe é exposto pela sociedade; como ideologias políticas, crenças religiosos e notícias vinculadas em canais televisivos e pela internet.Os livros conscientizam, ensinam a pensar. Por consequência são eles que tornam quem os lê cidadão, afinal, é considerado cidadão a pessoa que conhece seus direitos e deveres e é crítico - ou seja , reflete acerca deles. Logo, é evidente a importância desta prática no país.

Embora se prove essencial, a leitura no Brasil enfrenta desafios, com destaque para dois:a elitização e a falta de incetivo adequado nas escolas.De acordo com dados da UOL, o preço médios dos livro no Brasil é de 34 reais, tornando-os itens caros e pouco acessíveis à maior parte da população, ocasionado sua elitização. Como se não bastasse, também há um problema institucional quanto aos livros: a grade curricular. Ela prevê as obras que todo brasileiro deverá ler ao longo de sua vida acadêmica, porém se encontra desatualizada. Obras com vocábulos rebuscados e complexos como “Elíada” de Homero, são previstas para crianças, que certamente não irão compreendê-las, e após o desastroso “primeiro encontro” com os livros, não irão querer repetir a experiência ruim, freando o desenvolvimento do hábito da leitura.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto o Ministério da Educação, deve democratizar o acesso aos livros, por meio da redução de impostos sobre eles, e incentivar a leitura nas crianças, por meio da atualização da grade curricular brasileira.Ambas as ações devem ser apresentadas em um projeto de lei a ser entregue na câmara dos deputados,e a atualização deve conter obras mais complexas para faixa etária mais alta e literaturas infanto-juvenis para crianças. Espera-se,após a implantação dessas medidas,um aumento no número de leitores no país.