ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 29/04/2020
“Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.” A frase pertence a Mário Quintana, poeta e jornalista brasileiro do século XX, e ressalta a falta de criticidade da população na absorção de conhecimentos, fato esse que repercute na atualidade e prejudica a ascensão da leitura como meio de desenvolvimento de uma nação. Nesse viés, são necessárias mudanças reforçadas promovidas pelo Estado e pela população, com o fito de alterar positivamente esse cenário alarmante.
Primordialmente, é válido analisar o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual, em sua obra intitulada “A distinção”, retrata a ideia de senso comum, uma forma de dominação imposta à sociedade pelas classes soberanas, conspirando para as desigualdades e para a futura alienação do cidadão. Tal afirmativa mostra-se presente no poder público, em que a falta de investimentos na educação atinge de forma direta grande parcela da população, desse modo, inúmeros jovens e adultos são prejudicados pela ausência de direitos básicos, como a educação. Assim sendo, o indivíduo encontra-se a mercê de um sistema que desfavorece o seu crescimento intelectual, o que acarreta a falta de posicionamento do cidadão em diversas situações. Dessa maneira, não só os ideais da Carta Magna são comprometidos, mas também o desenvolvimento social e cultural do organismo.
Ainda é válido ressaltar que, segundo estudos realizados pelo IBGE, a taxa de analfabetismo no Brasil vem caindo, porém, a passos lentos, o que expõe ainda os mais de 11 milhões de analfabetos no país que, na grande maioria, são pessoas acima dos 60 anos de idade. Logo, fica notório o péssimo crescimento no acesso à educação e uma profunda alienação que existe na contemporaneidade, o que fomenta na fácil manipulação das camadas mais desfavorecidas, no qual, pela falta de aquisição ao conhecimento tem a sua assimilação de informações prejudicada, ocasionando uma esfera social injusta, em que diversos setores são mais favorecidos que outros. Por conseguinte, esses fatores atuam em fluxo contínuo e contribuem para a ampliação dessa problemática.
Destarte, a colaboração entre o Estado e a sociedade é essencial para solucionar esse entrave. Portanto, para que a leitura seja uma ferramenta de transformação social e cultural, cabe á autarquia federal, vide investimentos no setor educacional, promover melhorias no ensino público ao aprimorar a infraestrutura e a admissão de profissionais com ótimos currículos. Desse modo, o avanço na educação seria evidente, contribuindo para o desenvolvimento da nação. As mídias sociais devem, por sua vez, promover campanhas incentivando a disseminação da leitura, desse jeito, os cidadãos estariam vivenciando um período de exaltação cultural. Assim, com a propagação da leitura e da educação o conceito de “verdadeiro analfabeto” seria superado, conforme desejava Quintana.