ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 24/06/2020
A criação da internet em 2969 trouxe uma nova visão de mundo para a sociedade, a era do conhecimento pareceu que seria capaz de transformar vidas com mais acessibilidade a educação e informação. Contudo, na realidade o que se vê é uma crescente alienação, em partes causada pela troca dos livros pelos celulares carregados de notícias falsas e redes sociais que em nada agregam o desenvolvimento pessoal e profissional. Entretanto, não apenas a tecnologia afasta os jovens da leitura, assim como a falta de incentivo e a negligência governamental também o fazem.
De acordo com dados publicados em 2016 pelo Instituto Pró-Livro, 44% dos brasileiros não leem e 30% nunca compraram um livro. Nesse sentido, o pouco estímulo é um dos principais causadores destes números tão alarmantes. Visto que, na maioria das vezes, as crianças sem pais leitores não são incentivadas em casa e ao chegarem na escola se deparam com a obrigação de ler sobre assuntos que não as interessam. Em consonância, a privação do prazer na leitura resulta em jovens incapazes de demonstrar curiosidade quanto aos livros, e, como consequência, desestimulados a buscar crescimento pessoal no hábito de ler.
Além disso, a falta de leitura é uma das principais causas da alienação, estratégia de extrema importância para governos incoerentes que encontram na submissão um modo de se manter no poder. Nesse viés, essa ideia é retratada com clareza no livro “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak, no qual o autor relata a queima de livros durante o nazismo, a fim de manter o conhecimento distante do povo. Indubitavelmente, o escritor português Antônio Lobo estava certo ao dizer que “um povo que lê nunca serpa um povo escravo”.
Assim, é incontestável a necessidade do incentivo a leitura. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com os governos estaduais, implantar completas bibliotecas em todas as instituições de ensino, de maneira que a população de todas as idades tenha livre acesso à informação e ao hábito de ler. Além disso, as organizações não governamentais, com a mídia e a família, devem trabalhar em movimentos pró-leitura, com a finalidade de exibir a todos os males causados pelo alienamento. Pois, como dito pelo escritor brasileiro Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e livros”.