ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 27/07/2020
Durante a Idade Média, a Igreja Católica listou livros que tinham seu acesso proibido, a fim de evitar que outras pessoas os lessem e viessem a ter diferentes interpretações das impostas pelos religiosos. Sendo assim, percebe-se que desde os tempos antigos é sabido o poder de transformação da leitura. Em suma, o hábito de ler é promotor de mudanças relevantes de caráter social e coletivo, bem como meio para a difusão de saberes.
A priori, é coerente evidenciar a leitura como importante ferramenta para a concretização de reformas sociais. Nesse viés, o escritor brasileiro Mário Quintana, destaca que os livros não mudam o mundo, as pessoas que são capazes de fazê-lo, mas os livros mudam as pessoas que por conseguinte mudam o mundo. Com base nisso, no Brasil foi criado o projeto “Lendo a liberdade”, no qual presidiários são incentivados a ler obras literárias e dessa forma ficam suscetíveis a profundas mudanças comportamentais antes de serem reinseridos na sociedade. Logo, fica claro o poder da leitura nas mudanças sociais.
A posteriori, destaca-se que ler é uma importante ferramenta para a difusão de saberes. Nesse sentido, vale ressaltar que a leitura é capaz de expandir ideias e percepções sociais, elevando o caráter crítico e impulsionando modificações para o progresso comunitário dos países. Assim sendo, a atriz e ativista francesa Emma Watson, aperfeiçoou o projeto “Books on the underground”, no qual livros são espalhados por estações e metrôs com o objetivo de difundir obras que trazem questões relevantes para a atualidade, mas que necessitam ser conhecidas para serem discutidas. Então, é perceptível o papel fundamental da leitura para a expansão de conhecimento.
Portanto, o poder de transformação da leitura é inegável. Porém, para que o hábito de ler seja enraizado na sociedade, o Poder Executivo na figura do Ministério da Educação (MEC), deve promover junto com as escolas, campanhas e aulas expositivas direcionadas ao tema, espera-se assim incentivar aos indivíduos desde a tenra idade uma rotina de leitura. Além disso, governos estaduais e prefeituras poderiam investir na construção de bibliotecas públicas, e estas realizassem eventos como rodas de histórias para crianças e adolescentes terem contato com os livros desde cedo. Ademais, novamente, cabe aos governos empregar mais repasses ao MEC com o intuito de potencializar a educação do país, de forma a facilitar o acesso aos livros, evitando a alienação. Dessa maneira, será possível democratizar a leitura e incentivá-la, evitando assim sua retenção a camadas mais altas da sociedade, da mesma forma como aconteceu na Idade Média.