ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 02/11/2020

A restrição do acesso aos livros, durante o Período Medieval, demonstrou o admirável caráter transformador da leitura, haja vista que o clero feudal subjugava a sociedade a partir da alienação ideológica e da falta de informação. Essa retrospectiva histórica exemplifica o poder esclarecedor das obras literárias e, por isso, deve ser aniquilada pelo livre uso de tais bens materiais – capazes de minimizar o êxito das influências oriundas dos grupos majoritários e de transformar as realidades sociais. Dessa forma, é imprescindível a concretização de medidas educativas que promovam o hábito da leitura nas novas gerações brasileiras.

Em primeira instância, é perceptível que, historicamente, os livros foram negados às parcelas sociais com menor poder econômico, pois, dessa maneira, a elite as alienavam de modo mais preciso. Nessa conjuntura, o filme “O nome da rosa” demonstra a queima de obras literárias pelo clero do Período Medieval, quando a sociedade era castigada por ler as produções ilegalizadas pela Igreja Católica. Sob tal ótica, a história expõe o exímio poder transformador da leitura, de modo que essa era criminalizada pelos mais poderosos devido ao seu caráter informativo e esclarecedor. Destarte, o acesso à leitura na contemporaneidade auxilia a população no estabelecimento de ideologias próprias, livres da lamentável apologia política e da errônea influência religiosa.

Além disso, o estudo das obras literárias promove uma contundente modificação da realidade social de quem o faz. Nesse viés, o filme “Escritores da liberdade” relata uma história real sobre jovens da periferia estadunidense que saíram do mundo das drogas e da prostituição a partir das reflexões causadas por trabalhos literários da escola. Com isso, torna-se clara a importância de incentivar a leitura para as novas gerações, tendo em vista a melhoria das perspectivas sociais e econômicas desse grupo mediante o estudo e o conhecimento acadêmico. Assim, é de responsabilidade escolar a promoção de campanhas referentes ao estimulo à leitura e de debates sobre tal contexto.

Enfim, o ato de ler desenvolve o senso crítico individual e modifica realidades sociais. Depreende-se, então, a necessidade da união entre o Ministério da Educação e as escolas nacionais para o desenvolvimento de feiras literárias mensais nos educandários. Isso dar-se-á por meio da doação de livros e de trocas mútuas entre os estudantes, a fim de facilitar o acesso às composições e a conversação sobre os assuntos abordados nelas. Desse modo, os jovens brasileiros terão materiais para a formação das suas opiniões particulares e poderão refletir a respeito do poder de transformação social contido os livros, concretizando, assim, o importante contexto exposto no filme “Escritores da liberdade”.