ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 21/04/2021

‘‘Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas’’, disse o jornalista e poeta brasileiro Mario Quintana, evidenciando, de forma clara, a importância e o poder de transformação da leitura. Certamente, esta esteve presente em diversos momentos da formação filosófico-científico do ser humano, mesmo que ainda existam diversos entraves para que todos tenham livre acesso a esse recurso. Nesse sentido, é de suma importância destacar dois fatores: a falta de incentivo ao ato de ler e o custo dos livros, físicos ou digitais.

Em primeiro plano, é importante apresentar que ainda há, no Brasil, um desinteresse notável pela leitura. Segundo pesquisa feita pelo G1, em 2014, 70% dos brasileiros não leram um livro sequer, o que denota o fato de que o país ainda é extremamente carente de entusiasmo pelas artes e pela literatura. Paralelamente a isso, em outra pesquisa feita pelo mesmo veículo de notícias, cerca de 69% da população com acesso à internet já acreditou em algum conteúdo falso ou desinformativo. Tais números poderiam ser reduzidos, haja vista que um dos maiores benefícios da leitura é a formação das opiniões críticas do leitor, uma vez que o ato de ler proporciona o enriquecimento do próprio repertório sociocultural do indivíduo e diminui as chances do mesmo acreditar em alguma ‘fake news’.

Outrossim, é importante salientar que o preço dos livros (físicos ou digitais) também é um problema explícito na sociedade brasileira. Segundo a pesquisa do site ValorInveste, cerca de 22% dos brasileiros são influenciados pelo preço dos livros na hora de comprar. Além disso, a alta de 12% sobre os livros - proposta pelo Ministro da Economia em 2020 - afeta mais de 27 milhões de pessoas de classes menos privilegiadas. Desse modo, os fará ter uma maior dificuldade de fazer parte da sociedade leitora, tornando explícito a existência de, nos âmbitos econômico e social, diversos entraves para o acesso adequado à leitura.

Infere-se, portanto, que a fim de erradicar a falta de incentivo à leitura na infância e os altos preços dos livros, severas mudanças têm de ocorrer. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação -orgão responsável pelas diretrizes educacionais do país - em parceria com as escolas municipais e estaduais, por meio de debates e palestras, elucidar e advetir os familiares sobre a relevância da promoção literária. Além disso, o Ministério da Economia, como entidade responsável pelas altas e baixas dos preços no país, deve, por meio de programas de distribuição de livros nas áreas mais pobres do Brasil, torná-los mais acessíveis a classes com menos poder aquisitivo, de modo a serem incluídos novamente na sociedade leitora brasileira. Dessa forma, teremos uma sociedade mais crítica e mais disposta a mudar o mundo e inspirada pelos livros, assim como disse o poeta Mario Quintana.