ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 09/06/2021

Na obra “A menina que roubava livros”, do escritor Markus Zusak, é retratada a história de uma garota que utilizou a leitura como uma forma de distração aos horrores vivenciados na Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, essa narrativa mostra apenas um dos inúmeros benefícios que a cultura letrada pode proporcionar. Contudo, é evidente os problemas relacionados ao poder de transformação da leitura, conduzidos, sobretudo, pela falta de incentivo e pelo descaso estatal.

A priori, convém salientar que embora a família seja considerada por muitos sociólogos, uma das principais instituições sociais influentes no desenvolvimento dos indivíduos, muitas vezes, ela se faz ineficaz no que se refere ao incentivo da leitura. Sob esse viés, tal contexto é preocupante, pois de acordo com o conceito de “consciência coletiva”, criado por Émile Durkheim, o conjunto de caraterísticas de uma sociedade faz com que os indivíduos pensem e ajam de forma semelhante. Logo, se os pais não dispõem do hábito de ler, consequentemente, os filhos tendem a incorporar essas mesmas condições, o que, acaba dificultando os efeitos benéficos da leitura na sociedade.

Outrossim, é evidente a ineficiência do Estado no que diz respeito a democratização do acesso à leitura. Nesse prisma, apesar da Constituição Federal de 1988 assegurar o acesso à cultura como direito de todos os cidadãos, conforme o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, as bibliotecas do país são precárias e possuem uma péssima distribuição. Nessa lógica, esse descaso estatal no que diz respeito ao cumprimento da garantia legislativa acaba promovendo empecilhos à cultura letrada, visto que conduz o difícil acesso aos acervos literários e, impossibilita, dessa forma, o proveito proporcionado por tal atividade.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional Educativa, promover por meio de verbas, a disponibilização de bibliotecas em bairros e cidades com maior vulnerabilidade econômica e, além disso, articular campanhas de conscientização acerca dos benefícios da prática letrada. Assim sendo, tais ações teriam como objetivo oferecer livros gratuitos para população de todas as classes sociais e incentivar o hábito de ler, para que, desse modo, o poder de transformação da leitura fosse refletido na sociedade, da mesma forma, que é mostrado no enredo da obra “A menina que roubava livros”. Em suma, o problema seria resolvido de maneira eficaz e democrática.