ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 07/10/2021
Na fase Modernista da literatura brasileiras, muitos autores, por meio de suas narraivas, buscaram conscientizar a sociedade sobre as mazelas sociais e econômicas da época, como a obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, que demonstra as dificuldades vividas no sertão. Por conta disso, é implícito que a leitura possui o poder de transformar as pessoas, visto que, por meio de livros, é possível compreender o mundo. No entanto, de acordo com dados da pesquisa Retrato da Leitura brasileira, de 2015 para 2019, a porcentagem de leitores no Brasil declinou de 56% para 52% da população. Com efeito, percebe-se que - apesar de necessária para o desenvolvimento do indivíduo - há uma negligência nesse hábito, que persiste influenciada por traumas na colégio e pelo meio social.
Convém ressaltar, a princípio, como a escola, ao invés de incentivar a leitura, torna essa atividade um ato de frustação para os alunos. Sob essa lógica, segundo Kant, é no problema da educação que se assenta o grande secredo para o aperfeiçoamento da humanidade. Nesse sentido, é comum que o primeiro contato que a pessoa possui com os livros seja na escola. Entretanto, tal encontro pode tornar tal experiência desagradável, chata e sem sentido, visto que, por exemplo, cobrar Machado de Assis, sem o devido preparo, torna-se uma tarefa árdua para alunos que ainda não possuem o hábito. Dessa forma, o aluno se denota incapaz de ler, o que acarreta no seu desinteresse por livros.
Ademais, vale ressaltar, também, que a falta de leitura se deve à influência do meio social. Sob essa perspectiva, de acordo com Durkhein, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nesse contexto, é possível perceber que a questão da ausência de leitura na sociedade brasileira é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se a pessoa cresce inserida em um contexto social que não há a rotina de ler e muito menos o incentivo, a tendência é ela adotar esse comportamento também. Dessa maneira, sem familiares, amigos e professores para estimular, começar o hábito por iniciativa própria se configura como um grande desafio.
Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, é preciso que o Ministério da Educação, juntamente com os professores de literatura, desenvolva projetos de leitura para cada série do ensino fundamento e médio, por meio de aulas sobre obras literárias e recomendações de livros, de acordo com a idade de cada aluno, tendo um acompanhamento e um desenvolvimento gradual com o passar dos anos. Além disso, tais projetos não devem ser limitados apenas aos alunos, mas também aos familiares e amigos, a fim de desenvolver a conscientização da importância da leitura para a vida e melhorar a taxa de leitores no Brasil.