ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 05/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que não há o reconhecimento do poder que a leitura tem de transformação, isso gera barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da omissão do Estado, quanto da desigualde social.
Nesse contexto, vale ressaltar a falta de medidas governamentais para combater esse problema de educação no Brasil. Nesse sentido, segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, o Poder Público é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre com os brasileiros. Devido a baixa atuação das autoridades no setor de educação, visto que o sistema educacional brasileiro não introduz corretamente o jovem à leitura, pois, as diretrizes das escolas os ensinam apenas a decorar regras de português, desistimulando a leitura, e impossibilita a transformação por meio da leitura. Prova disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o baixo número de livros que os brasileiros leem, cerca de 2 ao ano. Logo, faz-se necessário a mudança dessa postura estatal de forma urgente.
Além disso, outro fator que contribui para o problema supracitado é a desigualde social. Nessa perspectiva, sabe-se que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, isso reflete na relação da população com a leitura, dado que o cidadão que não consegue alimento para a subexistência, não encontrará tempo para desfrutar um bom livro. Por exemplo, consoante com o IBGE, aproximadamente 8 milhões de brasileiro vivem a baixo da linha da pobreza, ou seja, na insegurança alimentar. Por conseguinte, todos os benefícios da leitura não estão ao alcance dessa parcela de cidadãos. Desta forma, é inadmissível que esse quadro continue a perdurar.
Portanto, diante dos desafios supramencionados, são esperadas medidas fortes para extinguir essa problemática no Brasil. Para que isso ocorra, é imprescindível a criação de programas de introdução à leitura nas escolas, bem como a efetivação da renda universal, e quem deve fazer isso é o Ministério da Educação junto ao Tribunal de Contas da União, órgão responsável pelas verbas públicas brasileiras. Assim sendo, por intermédio do redirecionamento de recursos públicos recuperados de casos de corrupção com o intuito de materializar os programas e a renda universal, garantindo à população um maior acesso à leitura e seu poder transformador. Feito isso, se consolidará uma sociedade mais desenvolvida, graças ao reconhecimento do poder de tranformação da leitura, garantindo, assim, o bem-estar do indivíduo, tal como afirma Thomas Hobbes.