ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 14/08/2022
O escritor Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, delata a ineficiência de instrumentos jurídicos, o que evidencia uma cidadania ilusória - metáfora usada pelo autor. Nesse contexto, pode-se associar tal alegação à realidade brasileira, hodiernamente, como a falta de importância dada ao poder transformador da leitura. Mormente, isso é ocasionado pela indiferença estatal e pela ausência de empatia, feitos que eternizam essa problemática.
Com efeito, consoante ao declarado no trecho “Ninguém respeita a Constituição”, na canção da Legião Urbana “Que país é esse”, a omissão do governo impossibilita a resolução eficaz da valorização da potência modificadora da leitura. Por sua vez, essa conjuntura origina-se de tal modo que a palavra do livro faz a ideia e essa poderia impactar o governo, pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas oito porcento da população tem capacidade interpretativa. Portanto, indivíduos padecem com a escassez de informação e de cidadãos críticos, que não questionam e têm as garantias, previstas na legislação pátria, desprezadas, visto que não há respeito à Carta Magna.
Ademais, o egoísmo no corpo social é um entrave à solução da ausência do prestígio facultado ao vigor mutacional da leitura. Nesse sentido, em sua tese “Modernidade Líquida”, o filósofo Zygmunt Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada pela instabilidade das relações sociais. Acerca disso, frisa-se que a inércia coletiva expõe a verdade bauniana ante manipulação de indivíduos desinformados, em uma nação que ainda possui quatro porcento de analfabetos de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Isso decorre devido à compulsão de cidadãos brasileiros com suas vontades patrimoniais, assim, menospreza-se a comunidade. Logo, a insensatez cidadã afeta a construções de opiniões e prioriza-se o consumismo instantâneo.
Destarte, o Ministério da Educação deve criar ações esclarecedoras em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, mediante filmes recreativos sobre a magnitude do poderio reformador da leitura. Diante do exposto, essa dinâmica tem o propósito de mitigar a negligência do Estado e o descaso da sociedade com a empatia, além de refutar as conclusões defendidas em “Modernidade Líquida”.