ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 23/04/2023

O filósofo Immanuel Kant, em sua citação: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele” retrata a importância desse recurso pedagógico para a formação da sociedade, o qual é advindo da prática da leitura. Contudo, observa-se que no Brasil, historicamente, existe um déficit no âmbito literário, que corrobora para a problemática da educação. De acordo com esse fato, faz-se necessário entender os fatores e consequências relacionados à inutilização dessa ferramenta transformadora.

Em primeira estância, infere-se que consoante a agência Nop World, num ranking de 30 países onde há um quantitativo notável de leitores, o Brasil está na 27° posição. É sabido que o país começou o processo de escolarização tardiamente -em 1960-, coincidentemente na época do surgimento dos meios audiovisuais os quais obliteraram o interesse pelos livros. Ademais, o número de tiragem é pequeno, e de acordo com a lei da oferta e procura (quanto mais escasso um produto, maior o custo) o preço de um volume eleva-se exponencialmente, dificultando a obtenção dos manuscritos.

Diante desse cenário, torna-se evidente que a falta de leitura afeta de forma direta a educação, além de inibir a formação de uma sociedade crítica e consequentemente o desenvolvimento do país. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2019, cerca de 11 milhões de brasileiros são analfabetos e 29%, analfabetos funcionais. Por conseguinte, o desenvolvimento socioeconômico do Brasil não é satisfatório, pois isso requer o engajamento de cidadãos intelectos e desinibidos, os quais representam uma irrelevante parcela do Estado.

Portanto, nota-se que a leitura é uma notória fonte educativa, mas encontra-se ameaçada devido a fatores socioculturais. Assim convém afirmar a relevância do incentivo ao hábito de ler desde a infância, exercido pelos respectivos familiares e docentes escolares; ademais, a Secretária Estadual de Educação (SEE) deveria promover saraus literários públicos e realizar doações de exemplares para instituições governamentais. Com isso, construiria uma sociedade mais intelectual e cultural bem como contribuiria para o progresso da nação.