ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença

Enviada em 01/10/2019

(Des)união plural

Na visão do filósofo Tzvetan Todorov, é retratado o ser humano civilizado como aquele que possui a habilidade de reconhecer a humanidade nas diferenças. Nesse sentido, o homem se distancia da barbárie ao acolher aquilo que lhe é estrangeiro, conciliando o que o pensador destaca a unidade da humanidade e a pluralidade das culturas. Não obstante, é fato que os indíviduos modernos distoam desse ideal social: gradativamente, a fluidez das relações e o cenário sociopolítico mundial corroboram o preconceito e a intolerância no convívio humano, tornando-o refém do ciclo nocivo ao qual se insere.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, com o capitalismo globalizado, as interações humanas são cada vez mais voláteis, ou seja, inconstantes e mutáveis. Desse modo, essa “Modernidade Líquida”, consoante o sociólogo Zygmunt Bauman, ratifica o desafio da convivência social, uma vez permeada pelo individualismo vigente no século XXI. Ainda, o estímulo industrial e empresarial ao consumo reflete sua utilidade na conservação do sistema capitalista. No entanto, os efeitos dessa conjuntura aplicam-se à sociabilidade dos consumidores que, submersos em um mar de produtos e serviços, valorizam o ter em função do ser - e o comprar em função do “se relacionar”.

Outrossim, o quadro atual da política internacional sugere forte poder de influência comportamental na coletividade: de certo, a supremacia de governos radicais e totalitários efetivam, por meio de seus discursos, sociedades intolerantes às minorias sociais. Destaca-se, dessa maneira, a África do Sul em meio ao Apartheid, na década de 40, e a primazia governamental pela segregação racial de brancos e negros nos espaços públicos. Paralelamente, a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agravou em 2016 manifestações neonazistas no país. Logo, infere-se o perigo de discursos políticos discriminatórios na história e da alienação interpessoal na ampliação do preconceito.

Portanto, é mister que os governos e a sociedade civil tomem providências para mitigar a barbárie. Para que sigam-se os estudos de Todorov, urge que a Organização das Nações Unidas crie protocolo com sugestões às nações do mundo na criação de metas para amenizar os crimes de ódio. A partir de um documento, deve reunir os países membros em reunião para determinar medidas de ação para cada país. Ademais, deve estabelecer nesse projeto combate conjunto de Ongs com os governos, para lançamento de campanhas midiáticas internacionais que instruam sobre os malefícios da discriminação. Por fim, a organização deve enviar profissionais especializados para atuar na criação dessas medidas, nos campos da educação, mídia e projetos sociais. Somente assim, será possível escapar do ciclo da desunião humana e tornar a pluralidade das diferenças um campo civilizado.