ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença

Enviada em 21/05/2020

A carta escrita por Pero Vaz de Caminha retrata a chegada portuguesa, em 1500 ao Brasil. De imediato, os lusíadas se deparam com os nativos dessa terra, os quais são considerados bárbaros por não falarem a mesma língua e terem os mesmos costumes, e por mais que o escrivão considerasse esse povo inédito “inocente”, ao longo de toda colonização do Brasil os portugueses não respeitaram a alteridade do indígena. Na atualidade podemos comparar a dificuldade dos indígenas em fugirem dos padrões estabelecidos por Portugal. Deste modo, a desconstrução do conceito de padrão deve ser influenciada, a fim de se atingir a diversidade.

Alteridade é o que diz respeito a cultura do outro, mas é importante destacar que a partir de 1500 não só os indígenas, mas também os povos escravizados não foram respeitados na essência de suas características culturais. Todos esses povos foram submetidos a catolização e aos costumes portugueses, que consequentemente reprimiram a cultura das outras nações, e consideraram apenas os comportamentos europeus corretos e dignos de admiração. Na atualidade, a situação análoga a de Portugal é a criação de padrões, que dizem os tipos de características físicas e psicológicas de pessoas que são dignas de exaltação, assim reprimindo quem é diferente.

Os padrões foram criados para serem considerados “estéticas de exclusão”, que geram frustrações em pessoas que não se enquadram nesse modelo. Segundo uma pesquisa feita pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, 77% das adolescentes apresentavam predisposição a desenvolver algum distúrbio alimentar como anorexia, bulimia ou compulsão por comer e 85% afirmaram acreditar que existe um padrão de beleza socialmente imposto; essas exaltações de grupos característicos específicos reprime a divergência, que correspondem a 56,10% de negros no Brasil de acordo com a Pnad e 23,2% de obesos, conforme a OCDE. O paradigma de admiração seletiva deve ser revisto, dado que se todos pudessem ser considerados dignos de afeição igualmente, independente da cor de pele, religião ou característica física, teríamos uma civilização com menos problemas psicológicos engatilhados pela recusa à diversidade.

Por conseguinte, é dever da Secretaria da Cidadania e da Justiça em parceria com a Secretaria de Comunicação o incentivo à destruição de padrões, por meio de comerciais transmitidos em horário comercial com mensagens de incentivo à visão da diversidade. É dever também do Brasileiro a luta contra essa ideologia de padrão, que pode ser estimulada pelo Ministério da Educação em parceria com as secretarias citadas através de campanhas feitas em escolas, nas quais sociólogos podem explicar para a população sobre a diversidade, a fim de mostrar que ela é uma riqueza, e não a ruína.