ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença

Enviada em 04/09/2020

“O maior dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa francesa Simone de Beauvoir pode ser facilmente aplicada à questão da dificuldade de conviver e respeitar diferenças. Esse cenário tem como origem clara a tendência de padronização do comportamento na sociedade. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar essa realidade, pode-se destacar a atuação de uma mídia marcadamente mercadológica, juntamente com uma educação formal que aliena sua população. Desse modo, é fundamental perceber que a insistente postura da mídia hegemônica de não cumprir com seu caráter pedagógico, aliado aos interesses das classes dominantes de gerir as pautas culturais, reforça o atual panorama de naturalização da intolerância diante de diferentes formas de expressão cultural. Essa situação acontece porque as empresas de comunicação representam interesses das elites econômicas e, por isso, não incentivam a difusão de diversidade de informações. Esse pensamento aproxima-se da declaração do jornalista Caco Barcelos, que afirmou que “A culpa não é de quem não sabe, mas de quem não informa”, ao demonstrar claramente que profissionais de comunicação apresentam responsabilidade fundamental em oferecer instrumentos para que a população saiba reconhecer e respeitar aquilo que está divergente da massificação da cultura, mas não o fazem. Além disso, é importante reconhecer que a negligência em relação aos investimentos em educação, juntamente com a postura das elites de subjugar as classes menos favorecidas, contribuem para o cenário uniformização de comportamentos. Isso ocorre porque historicamente as classes dominantes pressiona políticos a estabelecer uma sistemática negligência em relação ao aprendizado da população ao deixar grande parte das pessoas vulneráveis a acreditar que há só um tipo de cultura é correta. Esse cenário é semelhante ao que defendeu o antropólogo Darcy Ribeiro para quem “A crise na educação brasileira não é uma crise, mas um projeto”, uma vez que se evidencia que a desestruturação da educação favorece a própria elite que se beneficia de uma população que fica tendenciosa a rejeitar tudo aquilo que não lhes é imposto. Diante do exposto, é necessário reconhecer que os interesses mercadológicos são a origem da ausência de um processo democrático no acesso a diversidade cultural. Para solucionar essa questão, faz-se necessário que o Governo Federal crie um Programa Nacional de Valorização e Disseminação do Diversidade por meio de um projeto de lei a ser votado no Congresso que oferecerá incentivos fiscais para empresas e escolas que incentivarem trabalhadores e estudantes a consumirem produtos artísticos com a finalidade de se tornarem mais íntimos desse tipo de diferentes culturas e expressões artísticas.