ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença

Enviada em 22/09/2020

É notável que as pessoas são dotadas de identidades individuais, seja por influência cultural, religiosa ou social. No entanto, a população brasileira ainda não aprendeu a lidar com as diferenças comumente geradas pelo individualismo. Desse modo, por ser interpretada como fundamento à discriminação, a pluralidade humana torna-se um obstáculo à convivência em sociedade. Logo, gera problemas como a exclusão e discriminação que distanciam o Brasil da sua característica plural.

No tratado sobre a tolerância, Voltaire reflete sobre a injustiça afirmando que além dos aspectos que nos distinguem,  existem os aspectos que nos unem. Com base nisso, vale ressaltar, que o Brasil é um gigante miscigenado, no entanto o seu povo não é tolerante com as diferenças.  Nesse sentido, é tácito que as barreiras em se conviver com o diferente nesse território nasceram com a chegada do portugueses que se mostraram indiferentes as características dos índios. Tal cenário exterminou a identidade  dos nativos e introduziu a cultura europeia no povo indígena. Torna - se, portanto, evidente que o homem branco a muito tempo viola o espaço cultural de outras raças graças ao colonialismo.

Por conseguinte, conforme  o supracitado, o gigante miscigenado recebe muitos imigrantes que buscam melhora de vida todo ano. Contudo, os estrangeiros não são bem recebidos pelos brasileiros e não encontram trabalho facilmente acabam por encontrar muitas barreiras, como a xenofobia,  na busca por oportunidades no Brasil. Segundo o Jornal EL País, durante a crise na Venezuela, o acampamento de venezuelanos foi  destruído pelos roraimenses que não aceitaram o refugio dos seus vizinhos. Não obstante, as politicas para imigrantes no Brasil nunca foram flexibilizadas, logo,  não é esperado e um tanto quanto contraditório  que um país cujo seu povo é fruto das imigrações não ceda suporte a outras nacionalidades.

Portanto, para que os brasileiros aprendam a respeitar as diferenças e para que os conflitos teoricamente criados por elas sejam resolvidos. É necessário que a Administração pública em parceria com o Governo, atuem fortemente em políticas públicas educacionais que tratem destes assuntos, pois através da educação possivelmente esse problema será diminuído. Além dos agentes públicos, a iniciativa privada pode agir de forma interna e externa. Internamente através da promoção de palestras e discussões que agreguem mais conteúdo aos funcionários. Externamente por meio de acordos com o Estado para que, por meio da divulgação dessa discussão à população, haja uma redução nos impostos retidos pela Administração. Com essas atitudes, os donos de empresas no Brasil passarão a contratar mais refugiados  dessa forma, dando a eles  mais oportunidades.