ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença

Enviada em 21/09/2020

É sabido que as pessoas são dotadas de identidades individuais, seja por influência cultural, religiosa ou social. No entanto, a população brasileira ainda não aprendeu a lidar com as diferenças comumente geradas pelo individualismo. Desse modo, por ser interpretada como fundamento à discriminação, a pluralidade humana torna-se um obstáculo à convivência em sociedade.

Embora mais pautada no século XXI, a dificuldade em lidar com as diferenças acompanha o Brasil desde a sua invasão pelos portugueses. Nessa ocasião, não satisfeitos em conquistar e explorar as terras, os invasores subjugaram as populações nativas. Em “O povo Brasileiro”, Darcy Ribeiro mostra que as matrizes indígenas possuíam uma imensa diversidade cultural, um notório saber acerca de seus territórios e o pleno domínio da flora. Porém, devido ao não enquadramento de seus modos de vida à cultura lusitana, foram considerados animais sem alma que, consequentemente, precisavam de salvação. Dessa forma, os divergentes aspectos culturais foram responsáveis pela aniquilação de diversas comunidades indígenas.

Após seu início em território nacional, ainda na invasão citada acima, este problema se manteve durante os vários períodos históricos brasileiros. Atualmente, com o auxílio das novas tecnologias, ele consegue afetar os mais variados grupos sociais. Normalmente está ligado a temas como: identidade de gênero, ideologia ou ideário político, deficiências física e psicológica, entre outros. Isto porque para muitas pessoas é difícil conviver com alguém que possua ideias, personalidade, aparência e gosto diferentes dos seus. Essa dificuldade paulatinamente está relacionada a algum preconceito mascarado, que não possibilita que o relacionamento entre pessoas diferentes seja algo pacífico. Quando Albert Einstein diz que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito, ele reflete a realidade em que o mundo está inserido: nem mesmo a mais avançada tecnologia é capaz de arrancar de dentro do ser humano o desprezo contra um igual.