ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença

Enviada em 22/09/2020

A clássica série britânica de livros e filmes “Harry Potter” é famosa por vários motivos mas, dentre eles, por sua postura a favor do amor e da empatia, já que seu enredo tem por base a luta contra um ser maligno que pretende segregar ainda mais a sociedade. Nesse contexto, observa-se que a narrativa tem fundamentos reais e tangíveis, pois é perceptível a facilidade em julgar e maltratar o que é novo ou diferente no mundo atual, principalmente após a consolidação do capitalismo e o advento da internet. Assim, é imprescindível que o conjunto estatal-civil una-se para amenizar a problemática.

Em primeiro plano, cabe mencionar a relação entre o sistema socioeconômico e as relações sociais. Nesse sentido, é válido citar o conceito de “Solidariedade orgânica” do sociólogo Durkheim, que declara que a ampla divisão de trabalho produz um forte individualismo e faz a consciência coletiva perder sua capacidade agregadora. Nesse viés, a falta de tato para lidar com o diferente no mundo moderno é fruto dessa macroestrutura que dividiu os humanos e os mecanizou, fazendo-os perder suas habilidades de empatia e solidariedade para com o próximo. É válido mencionar, ainda, que esse sistema faz propagandas que criam necessidades artificiais e consumo compulsivo, perpetuando uma programação de alienação onde as pessoas — presas em uma psicologia do inconsciente — só pensam em produzir e comprar, sem dar atenção aos seres à sua volta e suas carências internas.

Vale mencionar, ainda, o impacto da internet nos relacionamentos hodiernos. Dentro disso, cabe citar o relatório “Global Digital Statshot” de 2019, que constata: mais da metade do planeta está nas redes sociais. Esse dado, associado à utilização de algoritmos — sistemática que, baseando-se nas preferências do usuário, só lhe envia conteúdos associados à seu nicho social —  por parte das redes, provoca a polarização na sociedade, já que a falta de contato com ideias e pessoas diferentes gera aversão e pereniza um pensamento repleto de egocentrismo e individualismo, aonde não há espaço para socializar com pessoas e opiniões diferentes da sua.

Portanto, fica clara a necessidade da união civil-estatal para atenuar a adversidade. Por isso, é imperativo que o Ministério da Educação torne obrigatório palestras mensais nas escolas, aonde será abordado o respeito as diferenças — ideológicas e físicas — e a importância da pluralidade na manutenção da democracia, para manter renovado na mente das futuras gerações a habilidade de ter empatia com o que é diferente da sua realidade. Aliado à isso, as escolas devem proporcionar gincanas esportivas interescolares, a fim de prover a socialização de indivíduos de diferentes nichos sociais, com objetivo de alterar a consciência coletiva a fim de torná-la mais agregadora e solidária. Assim, a sociedade tornar-se-á mais harmônica e empática.