ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença
Enviada em 08/10/2020
É indubitável que, conviver com a diferença, seja ela de pensamento, étnica ou social sempre foi um desafio durante a história da humanidade. O termo, derivado do latim differentia sempre teve seus pilares apoiados na violência e intolerância que levaram à finais trágicos como a segregação racial na África e a Segunda Guerra Mundial. Como resultado disso, ainda hoje a população assiste a episódios de descriminação e violência, gerados pelo individualismo. Assim, fica evidente que a pluralidade humana torna-se um obstáculo a convivência em sociedade. Em primeiro plano, é importante ressaltar a notabilidade que esse tema deve tomar, a partir do momento em que engloba o mundo inteiro. Segundo Andréa Pachá, juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, há um movimento conservador muito forte contra comunidades LGBT, mulheres e negros, que faz com que essas minorias fiquem sem voz, e quando elas surgem, quem sempre monopolizou o espaço se sente ameaçado. Para ela, quanto maior o acesso da sociedade aos valores da humanidade, menos intolerante a sociedade é. Isso só reforça o fato de que cada vez mais a população deve estar inserida num todo e não em um campo individual. Paralelo a isso, segundo o sociólogo do Mestrado Profissional em Comportamento do Consumidor (MPCC), da ESPM e estudioso de consumo e diversidade, Fabio Mariano Borges, as pessoas não foram educadas para serem diferentes e conviverem com as diferenças, foram criadas através de regras normatizadas que seguem um padrão. Qualquer diferença ao padrão é vista como quebra e desrespeito às regras. De certa forma, esse tratamento acaba se transformando numa barreira que é passada de geração em geração. Tal fato enfatiza o medo do diferente e do que não é conhecido, que se atrela à várias formas de descriminação. Dessa forma fica evidente que, as raízes históricas e ideológicas dificultam a convivência com o diferente dentro da sociedade. Para que essa convivência seja possível, é necessário que o governo promova palestras e eventos culturais para capacitar profissionais e principalmente os jovens sobre vários temas que envolvem a diversidade. Ademais é necessário reforçar o compromisso institucional com os direitos de cidadania e respeito ao ser humano, independente de qualquer diferença. Assim, se abrem caminhos para uma comunidade sem descriminação e intolerância.