ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença

Enviada em 05/10/2020

A sociedade contemporânea vive um intenso processo de globalização, no qual, com o advento da tecnologia nas redes de comunicação, ocorre uma maior propagação de culturas, gerando choques culturais velados - nem sempre tão imperceptíveis. Com isso, alguns costumes podem se sobressair em relação á outros, ocasionando muitas vezes uma padronização cultural, gerando conflitos e segregação. Dessa forma, faz-se necessário uma análise social a fim de identificar os benefícios de se conviver com pessoas diferentes, além do impacto social ao se valorizar a pluralidade.

Primeiramente, o uso de redes sociais e sites de pesquisa nos proporcionam o contato constante com diferentes ideias e modos de agir, proporcionando um choque cultural, gerando um julgamento do diferente. Assim, pode-se um pré-julgamento quanto a diferença, ou uma submissão da cultura de um em detrimento da outra, prejudicando a pluralidade de costumes ou a integridade de uma nação. Esse fato corrobora com a teoria do filosofo Adorno denominada Industria Cultural, na qual o autor evidencia a massificação dos projetos culturais visando apenas o lucro gerado na propagação em cinemas e na internet, inibindo a produção de entretenimento para cultural da menor parcela da sociedade, ocasionando a diminuição da representatividade nesse meio, transmitindo o pensamento errôneo de superioridade de alguns costumes em relação a outros.

Além disso, o convívio com a diferença de ideais, ao mesmo tempo que é expandida com a internet, ela também é restrita a uma bolha ideologia nas redes sociais devido a manipulação de dados. Isso faz com que as pessoas tenham acesso (com propagandas do próprio aplicativo) a ideologias coerentes a delas, impedindo a troca de experiências e de pontos de vista. Com isso, de acordo com a estudiosa Mariana Barros, a guerra é gerada por não se conhecer a historia do outro, julgando superficialmente as diferenças e repulsando-as. Portanto, o convívio com pessoas que pensam diferente, proporciona-nos conhecer outras histórias e o que as levaram a pensar dessa maneira, aumentando a empatia em relação ao outro, diminuindo a intolerância.

Sobram, pois, razões para crer que há diversos conflitos criados pelo pré-julgamento de ações, pensamentos e culturas diferentes. Todavia, a troca de experiências e de histórias proporcionam um novo modo de enxergar a mesma coisa, contribuindo para o crescimento humano. Dessa forma, é responsabilidade do ministério da cultura proporcionar a valorização da pluralidade em todos os âmbitos do Brasil, por meio de incentivos aos indígenas, por exemplo, proporcionando um ambiente no qual suas tradições possam ser conservadas. Nesse interim, o processo de aceitação e de trocas culturais, sem gerar choques culturais, proporcionarão uma país mais digno e interligado.