ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença
Enviada em 13/10/2020
Visão única, histórias múltiplas
Em toda a natureza, a diversidade é visível. Contudo, o “homo sapiens”, muitas vezes utiliza essas distinções de forma errônea e submete outras culturas e etnias àquelas que são creditadas como superiores. Essa visão causa terríveis e irreparáveis danos a inúmeras sociedades que lutam pela sua identidade cultural sem a influência externa. Dessa forma, é necessário que as civilizações aprendam a conviver com aquilo que é diferente e aceitar as diversidades.
Isso posto, durante o século XX, nações como Inglaterra e França, ignoraram barreiras culturais e levantaram fronteiras que aglomeraram sociedades culturalmente distintas entre si. Isso gerou um embate entre os povos e uma constante instabilidade, o que reflete no século seguinte, em enormes conflitos, desacordos e guerras que perturbam o convívio da sociedade civil e promove a criação de grupos terroristas como a Al Qaeda. Assim, é evidente que a intolerância às diferenças são edificações humanas que culminam em crise.
Além disso, a escritora africana, Chimamanda Adichie, disserta em seu livro, “O perigo de uma história única”, como a influência europeia em seu país natal deturpou sua visão do mundo. A autora comenta que por muitas vezes escreveu sobre personagens brancos e de olhos claros, em um cenário londrino, mas na verdade isso era uma projeção do que ela lera em livros vindos da Europa. Ela reflete como aquela única perspectiva fez com que ela ignorasse a própria realidade e como isso a inspirou a criar histórias que se passavam na África.
Portanto, a UNESCO deve conter conflitos étnico raciais e garantir, através de protocolos internacionais, um ensino profundo sobre a ideia da sociedade plural e construção das diferenças, a fim de promover discussões acerca da diversidade sob suas diversas faces, com reforço na importância em respeitá-la. Com isso, espera-se que ocorra redução da intolerância. Ademais, faz-se fundamental que governos nacionais cobrem que seus estados estejam de acordo com o protocolo supracitado e auxiliem na formação de uma sociedade mais tolerante às disparidades culturais do globo.