ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença
Enviada em 08/01/2021
Na obra “Teoria da Evolução das Espécies”, do autor Charles Darwin, este disserta que só os mais aptos são capazes de sobreviver, mas também que a biodiversidade é indispensável para o equilíbrio e a manutenção da vida na Terra. Paralelamente, ao analisar o mais avançado dos animais, isto é, o homem, é notório o persistente impasse para conviver com as diferenças, em pleno século XXI, no Brasil. Isso acontece porque, ainda, existe um rótulo midiático que preza por um padrão estereotipado, bem como é vista a predominância da desigualdade social e, desse modo, a sociedade tende a ficar distante da aquisição do bem-estar coletivo.
É relevante abordar, primeiramente, que algumas empresas midiáticas disseminam por toda esfera brasileira um padrão estético que tem como base exaltar e dar voz a um público específico — quer dizer, os brasileiros brancos — em detrimento de outros indivíduos, como é vigente a questão do limitado protagonismo da população indígena e negra nos meios de comunicação com pautas importantes, por exemplo. Nesse contexto, o escritor brasileiro Yuval Noah Harari, mediante sua obra “21 lições para o século 21”, afirma que: “Os maiores crimes da história moderna resultaram não só de ódio e ganância, mas principalmente de ignorância e indiferença”. Ou seja, ao restringir a participação ativa desses brasileiros — negros e indígenas —, como consequência, serão percebíveis ações de favorecimento a uma única parcela social e, por isso, faz-se urgente a discussão.
Outrossim, destaca-se a desigualdade social no Brasil, a qual distancia os habitantes mais vulneráveis do acesso à conexão digital, e esta é uma importante ferramenta que pode dar a oportunidade que pessoas de opiniões, culturas e necessidades distintas precisam para exigirem sua participação efetiva nas pautas importantes, como também frear o racismo presente na contemporaneidade. Nesse sentido, é válido relembrar que no Brasil Colônia o complexo de superioridade estimulava alguns indivíduos a acharem que tinham o direito de explorar os considerados inferiores e, infelizmente, essa noção de supremacia, até agora, existe, mas precisa ser extinta.
Depreende-se, portanto, a urgência em se estabelecer um convívio saudável entre o coletivo. Posto isso, é crucial que o Estado, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), estabeleça ações afirmativas — como a garantia de oportunidade e tratamentos —, por meio de programas que prezem por uma educação de qualidade, principalmente para a classe mais negligenciada da sociedade. E isso é importante porque a finalidade principal dessas ações é assegurar a capacitação intelectual e o protagonismo ativo e, como efeito, inclina-se para o lado do progresso nacional. Assim sendo, talvez, seja possível presenciar a útopica biodiverdade idealizada por Darwin.