ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença
Enviada em 18/11/2021
Segundo a Declaração Universal de Direitos Humanos, os indivíduos são iguais em dignidade e direitos. No entanto, essa premissa não é verificada quando se trata do desafio de se conviver com a diferença. Com isso, em virtude da negligência governamental e da falta de consciência social, um cenário adverso se instala, gerando prejuízos em diversas áreas da vida de uma grande parcela populacional, sendo imperativo que este seja minorado.
Dessa forma, em primeira análise, a negligência governamental é um obstáculo na resolução do problema. Nesse sentido, Aristóteles diz, em seu livro “Ética à Nicômaco”, que a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. Entretanto, é fácil perceber que essa premissa de Aristóteles não se consuma na hodiernidade, uma vez que o poder público não cumpre devidamente o seu papel, ao ser permissivo com a existência de comportamentos socioculturais caracaterizados por preconceitos dos mais diversos tipos, como os de gênero, etnia ou classe social. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal.
Além disso, a falta de consciência social é causa secundária do problema. Para Bauman, filósofo e sociólogo polonês, os valores da sociedade estão colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação é nítida no que diz respeito ao desafio de se conviver com a diferença quando observados os casos de violência por preconceito, a segregação a que são submetidos os indivíduos cujo perfil não seja, pelos segregadores, normatizado e os prejuízos emocionais e psicológicos ou até mesmo físicos que recaem aos segregados. Assim, inverter a ótica superegóica, colocando os valores humanos em primeiro lugar, é urgente.
Portanto, compete ao Poder Executivo, que juntamente com o Legislativo e Judiciário compõem o Estado e assegura a implementação e execução de leis e garantias sociais, por meio de verbas governamentais, criar um conjunto de ações, com a finalidade de promover o convívio social para além das diferenças existentes. Tais ações devem ser compostas por leis que defnam os crimes de preconceito e suas consequências, políticas públicas para grupos minoritários e centros de apoio para as vítimas dos mesmos crimes, compostos por equipe multidisciplinar. Em paralelo, compete ao poder público, criar campanhas midiáticas que valorizem a diversidade humana, numa dialética entre habilidades e oportunidades, a fim de conscientizar os indivíduos acerca dos vastos conhecimentos que podem ser adquiridos quando em contato com realidades distintas, com ênfase no respeito à individualidade e à natureza de cada um. Somente assim, os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos serão uma realidade mais próxima.