ENEM 2007 - O desafio de se conviver com a diferença

Enviada em 07/08/2024

No quadro “Operários”, a ilustre artista Tarsila do Amaral retrata trabalhadores brasileiros, destacando a grande diversidade dos cidadãos. Infelizmente, no Brasil, a convivência harmoniosa de uma sociedade multicultural é um desafio duradouro. Desse modo, é imperioso discutir os motivadores desse triste problema, isto é, o legado histórico e o individualismo moderno.

Em primeira perspectiva, vê-se que o Estado brasileiro foi construído a partir de visões preconceituosas. Nesse sentido, destaca-se o sistema escravagista, vigorado da conquista do Brasil até a Lei Áurea, e políticas eugenistas, que reprimiram elementos culturais de diversos povos, além de defenderam uma hierarquia racial e a exclusão de deficientes. Por exemplo, a capoeira foi descriminalizada apenas em 1934, mostrando como o poder público incentivou a aversão ao que é considerado diferente. Dessa forma, vê-se o quão recente é a aceitação legal da pluralidade em solo brasileiro.

Outrossim, nota-se que a sociedade moderna é marcada pelo individualismo.. Sob tal concepção, o pensador polonês Zygmunt Bauman diz que, na atualidade, há uma supervalorização do indivíduo em detrimento da coletividade. A partir disso, as pessoas tendem a menosprezar qualquer um que destoe das suas características, sejam elas políticas, identitárias, econômicas ou físicas —favorecendo, assim, a segregação social e comprometendo a boa relação entre as diversidades. Dessarte, é fulcral reagir contra essa individualização para melhorar o convívio entre dessemelhantes.

Sendo assim, é inegável a necessidade de intervir para combater os desafios sobreditos. Logo, cabe ao Ministério da Educação realizar uma reparação histórica, por meio de alterações na grade curricular de escolas e universidades, mormente nas aulas de História e Artes, incluindo temas que exaltam a beleza da diversidade no Brasil, a fim de desconstruir visões discriminatórias formadas historicamente. Além disso, é dever das escolas brasileiras fomentar o desenvolvimento de sujeitos menos individualistas, fazendo o uso de metodologias como rodas de conversa e cine-debates sobre diversas culturas, religiões e etnias. Assim, os operários e operárias poderão se expressar e gerar quadros sociais cada vez mais coloridos.