ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 31/08/2019

Conforme os preceitos do filósofo iluminista, J.J. Rosseau, o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Para o pensador, a sociedade possui poder preponderante para alterar à conduta de uma pessoa. Diante disso, depreende-se que quando a ética nacional não é formada por padrões morais sólidos, seja por inoperância estatal, seja por herança cultural, o indivíduo comporta-se como um reprodutor dos péssimos hábitos sociais.

Em primeiro plano, vale ressaltar às consequências gerais dos atos dos representantes políticos ao desrespeitarem às leis constitucionais. O artigo 37 da Constituição Federal de 1988, condena, pelo crime de improbabilidade administrativa, a violação do patrimônio público. Entretanto, nota-se que os casos de corrupção alastram-se pela esfera governamental e, em poucos casos, os infratores são judicialmente punidos. Em face desse empecilho, o cidadão brasileiro encontra-se em situação de desmotivação com a ética nacional e, consequentemente, muda o seu comportamento, ratificando o fenômeno descrito por Rosseau.

Além disso, convém analisar à especificidade da moralidade brasileira. Há anos, mantém-se, no núcleo populacional, o conceito do “Jeitinho Brasileiro”. Tal ideal expõe um caráter corruptível presente em muitos cidadãos, essa definição é aplicada para a solução improvisada de casos problemáticos, os quais não obtém aparato legal diante da lei. Sendo assim, percebe-se que a ética nacional goza de brechas à imoralidade, acarretando em penosas influências nos ciclos sociais e políticos.

Em síntese, portanto, para eliminar o “Jeitinho Brasileiro” das raízes de nossa sociedade, o Ministério da Educação deve promover, em todas as escolas públicas do país, palestras reunindo sociólogos, historiadores, cientistas políticos, alunos e responsáveis, discutindo acerca dos impactos que esse conceito provoca no ciclo político-social, a fim de despertar, nos indivíduos, a caraterística de transparência e honestidade. Para minimizar a corrupção, compete ao Ministério da Justiça, em parceria com o STF, intensificar às investigações da Operação Lava-Jato.