ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 25/09/2019

Com o advento do iluminismo, a descentralização do poder e a instauração da democracia (poder que emana do povo), o povo brasileiro obteve, após a instalação da Constituição Federal, o poder de votar diretamente e, portanto, pôde participar ativamente da política, podendo eleger seus representantes. Entretanto, tais representantes políticos ganharam tanto poder, que a justiça se viu impotente diante da força dos políticos, e o conformismo com essa realidade foi infelizmente estabelecida, criando insatisfação popular.

Primeiramente, é importante destacar as causas da injustiça política do Brasil. De acordo com o filósofo francês Blaise Pascal em seu aforisma, a justiça sem a força é impotente, e a força sem justiça é tirânica e acusada. Porém, a força é notada, e a justiça, por sua vez, é questionável. Com isso, não foi possível fazer o que é justo fosse forte, apenas o que é forte fosse justo. Logo, quem detém o poder e a força se conclama justo. Sendo assim, muitos legisladores eleitos pelo povo que possuem o poder de melhorar a realidade do país ignoram os anseios do povo como a segurança, ensino público de qualidade e atendimento hospitalares ágeis, gerando insatisfação e infração à ética nacional, e consequentemente, cometendo injustiça aos cidadãos.

Por conseguinte, as injustiças políticas e má gestão promoveram o conformismo da população e leviana crença de que nada vai mudar. Segundo o escritor britânico Oscar Wilde, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de uma nação. Analogamente, se o povo está insatisfeito, o primeiro passo para o progresso já foi dado. Dessa maneira, é necessário que a população exija competência e honestidade dos políticos representantes, pois na democracia, o poder deve emanar do povo e os representantes devem de fato representar os cidadãos.

Portanto, para que a ética seja de fato justa, e que a democracia seja plena, urge que a tripartição dos poderes estabeleça, por meio dos legisladores, plebiscitos para que a população possa votar diretamente a respeito de melhorias estruturais do país, principalmente a respeito de temas mais urgentes, como segurança nacional, educação pública de qualidade e atendimento hospitalar eficaz. Dessa forma, o clamor do povo será atendido com mais exatidão, e o exercício da democracia será digna. Simultaneamente, que o Ministério da Educação crie, por intermédio de verbas governamentais, cartilhas educativas distribuídas nos centros de ensino que ensinem os estudantes a importância de exigir os direitos e cumprir deveres, escritos por especialistas do direito e filosofia, a fim de formar cidadãos conscientes e críticos. Nessa perspectiva, o indivíduo frente a ética nacional terá mais voz e a justiça com a força será benéfica.