ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 29/10/2019
Para o filósofo Bauman, na modernidade líquida, instituições anteriormente pontos de referência, como a imprensa e os governos, passam por uma descrença, consequentemente, são alvos de constante suspeita e atenção dos cidadãos. Posto isso, percebe-se o indivíduo não mais indiferente à conduta da classe política, visto que que saturado de falas repetitivas e promessas vazias começa a clamar por mudanças. Dessa forma, é necessário discutir como, a fim de manter um status, se promove a despolitização. Ademais, é notório o surgimento de discursos autoritários e ações extremistas.
Em primeiro plano, é imprescindível destacar que a perpetuação, por anos, de estigmas sobra a ética desses funcionários públicos seja por si mesmos, seja pela população geram uma desconexão do povo com o Estado. Dessarte, conforme o Relatório Confiança nas Profissões de 2016, o Brasil, com apenas 6%, ocupa a última posição, sobre a confiança em políticos, entre as maiores economias mundiais. Contudo, segundo o poeta Friedrich Schiller, “não há homem que, se puder ganhar o máximo, se contente com o mínimo”. Logo, esse sentimento, por vezes, é um efeito intencional e legitimado por um grupo que, por meio da propagação de ignorância e desinformação, busca a manutenção de seu prestígio e o acréscimo em seu ganho de capital.
Outrossim, o frequente uso dessa ferramenta de poder tem impactos diretos nas pessoas, quando direcionados a descreditar todo o aparelho público e até a democracia como sistema vigente, vê-se o retorno de problemáticas ideologias. Desse modo, exemplificando o caso, em 2019, manifestantes se reuniram, em Brasília, reivindicando o fim do Supremo Tribunal Federal e a instauração de uma intervenção militar. Dessa maneira, ratifica-se o conceito de Hannah Arendt sobre a ralé, no qual, dissidentes daqueles adeptos de um projeto político, esse grupo só se afeiçoa pela violência, recusando o diálogo e defendo discursos de ódio. Por isso, mesmo que partam de uma causa justa como o descontentamento com o atual cenário, clamar por um desmonte de toda a estrutura estatal é, no mínimo, um ataque às liberdades individuais.
Portanto, com intenção de assegurar o valor democrático e os preceitos da Constituição Federal, o Governo Federal precisa empregar medidas que visem restaurar certa confiabilidade no regime de governo e educar a população sobre a temática. Isso posto, o Ministério da Educação deve implementar cursos e rodas de debate, em instituições de ensino de todos os níveis, que discorram sobre democracia e a importância do debate. Além disso, tem de se veicular, nas diversas mídias, uma campanha sobre educação política, que trate de assuntos e conceitos pertinentes a isso. Assim, é possível certificar a hegemonia do estado de direitos.