ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 15/05/2020

A partir da Idade Contemporânea, no século XVIII, com o surgimento do pensamento iluminista, os filósofos, por meio da retórica, passaram a utilizar a razão para explicar aspectos sociais existentes nas civilizações, bem como a política e a relação entre os cidadãos. Nessa perspectiva, uma sociedade pode ser classificada como uma relação entre indivíduos que reconhecem as mesmas regras de conduta e aceitam o mesmo princípio de justiça. Nesse sentido, pode-se afirmar que a civilização brasileira, como um corpo social, está acostumada, principalmente, com aspectos negativos, como a desonestidade e a má-fé, tratando-as como conduta normal a ser seguida, o que leva o povo à aceitação de realidades infelizes, como os altos índices de desigualdade social e criminalização.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a desproporção é cada vez mais aceita no Brasil. Nesse sentido, em sua coluna “Ponto de Vista”, a escritora Lya Luft expõe em seu texto a sua indignação em relação à acomodação do povo brasileiro quanto à injustiça social. Nesse contexto, é possível perceber que a ética nacional trilha por um caminho de conformidade no que concerne às mais diversas formas de comodismo e desigualdade, o que torna o povo gradualmente sujeito a elas. A exemplo disso, o poema “O Bicho”, do Manuel Bandeira, evidencia a forma como a sociedade brasileira está acostumada a ver pessoas viverem em condições desumanas, como vivem os moradores de rua.

Além disso, vale salientar que essa acomodação da população brasileira leva ao aumento da criminalidade. Nesse cenário, considerado pela Organização Mundial da Saúde, OMS, um dos dez países mais violentos do mundo, o Brasil possui uma das mais altas taxas de criminalidade e mortalidade. Dessa forma, é possível perceber a banalização, por parte  do brasileiro, dessa realidade, que é aceitável no país. Assim, lamentavelmente, tornaram-se cotidianas as matérias em jornais sobre violência. Como prova disso, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico,  OCDE, o brasileiro, consciente da situação do seu país, é o povo que mais teme ao andar na rua.

Em síntese, a população brasileira está habituada com a atual situação de injustiça social e criminalização existente no país. Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania, MDS, com o auxílio de Organizações Não Governamentais, ONGs, por intermédio da ampliação das ofertas de emprego no país, garantir a todos os cidadãos a igualdade nas oportunidades de trabalho, a fim de reduzir a desigualdade social, que afeta grande parte da população. Ademais, o Poder Legislativo deve, mediante a implantação de leis mais rígidas, assegurar a pena aos criminosos, com o intuito de diminuir o alto índice de criminalidade no Brasil. Dessarte, com essas medidas, espera-se mudar a perspectiva do indivíduo brasileiro frente à ética nacional e reduzir seus impactos negativos na sociedade.