ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 14/07/2020
Por ética compreende-se a disciplina da filosofia que analisa os valores morais vigentes. O filósofo Jeremy Bentham propôs a doutrina da ética utilitarista, na qual tinha o objetivo de produzir a maior quantidade de bem-estar possível para a sociedade. No entanto, hodiernamente, o que se vê é totalmente o contrário. A exemplo disso, podemos apontar o fato de que políticos que deveriam governar para o povo, acabam visando o próprio benefício, fato que resulta em um cenário caótico de descrença não só no sistema político, como também nos valores morais vigentes, em que a população não se vê satisfeita frente à essa questão.
Em princípio, cabe analisar os motivos para essa subversão ética presente na política.O filósofo brasileiro Mário Sergio Cortella, afirmou que o ato de corromper-se consiste em apodrecer algo que deveria ser decente e demonstra que essa ação vem da infância, em simples gestos como colar na prova e furar a fila. Aliados a isso, o desconhecimento da área governamental observado na sociedade, por conta dessa matéria não ser discutida, nem na escola e muito menos nas esferas midiáticas, e a conformidade diante da prerrogativa de que “políticos são sempre corruptos”, alimentam, ainda mais, essa prática.
Além disso, a impunidade brasileira é outro fator que sustenta essa atividade. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, apenas 5 a 8% dos homicídios são solucionados, o que deixa uma margem de 90% dos casos sem solução, ou qualquer punição necessária. Esses dados são agravados ao se tratar de questões envolvendo escândalos políticos, por exemplo, informações do procurador da República do Paraná, Deltan Dallagnol, elucidam que 97% dos casos de corrupção no Brasil ficam impunes, o que clarifica o ceticismo da população em relação aos seus governantes.
Nesse sentido, é notório a dificuldade do indivíduo frente à ética nacional, e a sua consequente incredulidade nesse sistema. Dessa forma, cabe às escolas, esferas midiáticas, e entre as famílias, promoverem, desde o início da formação da criança e do adolescente, o debate saudável sobre os deveres e obrigações do Estado e seus políticos. Devem realizar essa ação por meio de realização de palestras nas escolas, com profissionais da área do DIreito, para elucidar o papel dos governantes, criação de programs em horários nobres de TVs e Rádios que debatam e coloquem à tona atos corruptos e suas impunidades, promovendo o senso crítico na população, e, por fim, os pais devem alertar esses indivíduos para a importância de cobrar as promessas que esses governantes fazem, sem aceitar e se conformar com o não cumprimento desses acordos. Logo, a partir desses procedimentos, poderemos usufruir, na prática, da ética utilitarista proposta por Bentham.