ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 11/08/2020
A teoria de Gaia, da bióloga Lynn Margulis, frisa que o funcionamento do planeta Terra é resultado das ações de todos os indivíduos nele habitantes. De maneira análoga a natureza, funciona a política, dependendo das ações individuais que, ao serem cruzadas, determinam a qualidade de vida de uma sociedade. No Brasil, entretanto, a ética disturbada de alguns indivíduos, sobretudo daqueles que são agentes na manutenção do patrimônio financeiro público, quebram o ciclo de cooperação social e determinam por intermédio de influência um padrão ético brasileiro trapaceiro.
Em primeiro plano, o Brasil é um país conhecido por riquezas, provenientes da abundância de matérias primas, que certamente garantiriam boa qualidade de vida à população. Nesse cenário, a ética dos indivíduos que seguem a carreira política, responsáveis pelos investimentos sociais, é chave para o funcionamento do estado. Porém, ao analisar as disparidades sociais, raciais e financeiras existentes no Brasil, conclui-se que estas são reflexo da falta de ética, que, acarreta a corrupção e escândalos de desvio de patrimônio público. Assim, aqueles que deveriam ser responsáveis pela prosperidade social brasileira acabam prejudicando a população.
Outrossim, a raiz dos desvios éticos cometidos por aqueles no poder também afeta a camada popular. Desse modo, o tratamento do patrimônio público como pessoal, a tentativa de agilização e diminuição da burocracia e até mesmo o ato de furar fila são exemplos de corrupção e caracterizam o “Jeitinho Brasileiro” como significa Sergio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”. Logo, ações individuais e cotidianas, já prejudiciais para os demais, contribuem para a normalização de ações que no futuro escalarão e prejudicarão um número exponencial de indivíduos.
As ações individuais, variando com a ética individual, afetam, portanto, a sociedade que atua em forma de teia, assim como defende a teoria sistemática. Logo, é indubitável a necessidade da atuação do Ministério da Educação no contexto da grade curricular de filosofia e sociologia do ensino fundamental brasileiro, declarando como obrigatória a aplicação de aulas didáticas com o tema “Ética social”, instruindo crianças e adolescentes contra a prática de ações corruptas. Além disso, a educação ética e moral familiar deve ser trabalhada de forma voluntária por assistentes sociais públicos em distribuição de encartes com linguagem popular, dessa maneira elucidarão a parcela popular brasileira. Concretizadas estas ações, decerto o Brasil terá uma população eticamente informada, o que resultará em ordem e progresso.