ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 17/08/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira, ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras como a dificuldade na formação de uma sociedade honesta. Esse cenário antagônico reflete uma perspectiva desafiadora, seja em virtude da corrupção social, seja pelo individualismo/falta de empatia.
Em abordagem inicial, vê-se que a sociedade atual é caracterizada pela incapacidade moral dos cidadãos de exercerem compromissos voltados ao bem comum. Segundo o pensamento do filósofo francês, Jean Jacques Rousseau, o homem é produto do meio em que vive. Na esteira dessa ideia, nota-se que a falta de ética do Estado, instituição social que determina regras e atitudes morais, corrobora para a manutenção de uma sociedade imoral, formada por indivíduos que visam o beneficio próprio, em detrimento do coletivo. Assim fica claro que, a ausência de ética começa pela corrupção governamental, que reflete em uma sociedade corrupta, com atitudes que espelham seus governantes.
Além disso, a ausência de ética na sociedade contemporânea encontra terra fértil no campo do individualismo/falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, o escritor polonês Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo, em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois para colocar-se no lugar do outro é necessário deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão moral da sociedade funciona como um empecilho para a sua resolução, visto que o pensamento individual prevalece em prejuízo do bem comum, gerando uma sociedade que quer levar vantagem sobre o outro a qualquer custo, independentemente se a ação realizada for imoral ou que venha trazer consequências ruins aos outros.
Infere-se, portanto que urgem medidas efetivas no enfrentamento do indivíduo frente a ética nacional. A priori, compete ao Governo, através de seus governantes, o exercimento de seus cargos de forma íntegra e responsável, onde prevaleça o bem comum da sociedade, visto que como representantes dos indivíduos no Governo, exercem influencia na sociedade, ou seja, os chefes de estado agindo de maneira honesta, fomenta uma sociedade que comporta-se moralmente. Ainda é de responsabilidade do Ministério da Educação e Cultura (MEC), a elaboração de campanhas educativas que abordem sobre a importância de exercer o correto, com o apoio das escolas públicas/privadas, com o intuito de formar uma futura geração consciente. Com essas ações, espera-se um novo cenário ético no Brasil.