ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional

Enviada em 31/10/2020

O desenvolvimento cultural do Brasil se constituiu em uma base colonialista, a qual permitiu um ilusório moralismo, solidificado em atender apenas os interesses dos mais fortes. Nesse contexto, observa-se a extensão desses valores na sociedade atual, visto que o individualismo criou a fixação de uma crise frente à ética nacional. Em razão disso, destaca-se não só uma inversão da coletividade, como também, a cristalização da normatividade; fatores esses que necessitam ser debatidos.

Em primeira instância, torna-se inegável que a inversão da coletividade, somada ao individualismo, são fatores que condicionam uma errônea posição da população frente à crise ética. Essa situação, inquestionavelmente, decorre de uma mentalidade desenvolvida em buscar primeiramente sua vontade, de forma que o bem coletivo tende a ser colocado à deriva. Nesse sentido, em outras palavras. subtende-se a falta do compromentimento do papel social, tal que, se constitui por um conceito sociológico marcado por determinar o conjunto de comportamentos e deveres do cidadão. Logo, infere-se a gradativa distorção do que é ser sociedade em questão, posto que na prática atual, vive-se um cenário preenchido pelo enraizamento amoral.

Consequentemente a esses sólidos comportamentos egoístas, ressalta-se a normatividade cultural definida no país. De forma que, certamente, a não efetivação da ética, caracterizada por ser um exercício diário de consciência e responsabilidade com o próximo, permite a sua liquidez social. A exemplo, tem-se a obra " O Abaporu" de Tarsila do Amaral, a qual representa uma pessoa evidentemente desproporcional, uma vez que a sua cabeça é a parte menor do corpo. Ou seja, indubitavelmente, percebe-se um paradigma da contemporaneidade debatida, já que essa, se identifica com uma carência reflexiva capaz de gerar uma indiferença precursora da naturalização individualista, responsável por legitimar a crise ética no Brasil.

Tendo em vista os aspectos mencionados, é dever do Poder Executivo, em parceria com a Mídia, garantir políticas públicas direcionadas a toda população. De modo que se ofereça reuniões mensais -com sociólogos e representantes midiáticos - responsáveis por criar campanhas e palestras onlines, capazes de informar o que é ser ético na sociedade, bem como em orientar os benefícios de possuir esses comportamentos. Efetuando assim, não só no rompimento da normatividade, mas também a quebra do individualismo;  possibilitando então na construção ética, capaz de garantir a cristalização da coletividade nacional.