ENEM 2009 - O indivíduo frente à ética nacional
Enviada em 09/11/2020
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, em suas “Memórias Póstumas” afirmou que não teve filhos e não transmitiu o legado de nossa miséria para nenhuma criatura. Talvez hoje, ele percebesse a sua acertada decisão. Pois, a integridade do indivíduo frente à ética nacional é constantemente corrompida, tanto no meio político, como também na sociedade. Desse modo, cabe analisar esses impasses que tende em permanecer nos dias atuais.
Em primeiro lugar, o descontentamento populacional frente à governança nacional é fator determinante para a problemática. Nesse contexto, o filósofo Maquiavel, explica que ética e política andam em passos divergentes, cabendo ao indivíduo agir de todas as formas para manter a sua permanência no poder, Nesse viés, na atual conjuntura brasileira, não muito distante da obra do Nicolau Maquiavel, para testificar, como exemplo, os casos das operações lava-jato. Em síntese, a moralidade no jogo político é apenas uma palavra. Assim, torna-se dever da população cobrar para o fim desse quadro deletério.
Em segundo plano, é válido analisar o comportamento social frente à ética dos representantes. Por exemplo, durante o século XX, no Brasil, houve indignação por parte da população. Como consequência, gerando protestos como os “caras pintadas”. Em contraste, na atualidade, há inércia da parcela da sociedade, configurando-se assim, um público com o reflexo dos seus gestores. Pois, com pensamentos - roubou mas fez e venda de voto-, de forma dissimulada os cidadãos também é cumplice dessa ausência ética que assola o contexto nacional. Portanto, para promover um avanço na integridade cidadã, é necessário uma mudança de mentalidade social.
Dessa forma, em conclusão, urge que o Ministério da Educação e Cultura o (MEC), promova por meio de reforma na grade comum curricular do ensino médio e universitário, a implementação de aulas sobre o estudo da ética e cidadania. Sobre o ensino superior, matéria obrigatória no primeiro período para todos os cursos de graduação sobre ética e cidadania. Ademais, para maior alcance, o Estado, utilize suas plataformas digitas todas em sincronias para fazer “live” no mesmo dia e horário, uma vez por mês, tudo isso, com a finalidade de promover um debate com referências no assunto e posteriormente trazer lucidez ao público. Nesse interim, quem sabe o Brás Cubas tenha um motivo para se orgulhar.